Um laboratório de cibersegurança chamado A Security revelou uma vulnerabilidade grave no Zoom e o nome diz muito sobre a gravidade: Zoomsday. A brecha permitia que qualquer participante mal-intencionado assumisse o controle total dos dispositivos dos outros usuários em uma mesma videochamada, sem exigir qualquer clique, download ou autorização da vítima. O problema afetava todas as plataformas suportadas pelo serviço: Windows, macOS, Linux, Android e iOS.
A origem do problema estava no recurso de anotações do Zoom — aquela função que permite desenhar ou escrever sobre a tela enquanto ela é compartilhada com os demais participantes. A troca de dados desse recurso ocorre por um protocolo que estabelece conexão direta entre os usuários da chamada, e foi nessa camada que os pesquisadores encontraram a abertura. Ao injetar código malicioso nesse fluxo, um invasor conseguia acesso simultâneo a múltiplas máquinas na mesma chamada. A ação levava apenas segundos para ser executada e não dependia de qualquer interação das vítimas.
Na prática, o Zoomsday poderia ser usado para roubar senhas e credenciais corporativas, exfiltrar documentos sigilosos ou se passar por outros participantes para aplicar golpes dentro da mesma empresa. O roubo de cookies de sessão era um dos riscos mais sérios, pois permite contornar até sistemas com autenticação em múltiplos fatores.
O que tornou o caso ainda mais significativo para a indústria foi o método de descoberta: a equipe da A Security utilizou um modelo de inteligência artificial publicamente disponível para encontrar a brecha. Ao longo de 24 horas, com cerca de 20 prompts estruturados, os agentes de IA ranquearam as funções do Zoom com maior potencial de exploração, guiaram a engenharia reversa da biblioteca de anotações e ajudaram a construir o mecanismo de transporte do código malicioso. Um especialista humano foi necessário para refinar os prompts ao longo do processo — mas o episódio demonstra que o uso de IA para pesquisa ofensiva de segurança está ganhando escala.
O Zoom corrigiu as brechas em 11 de agosto de 2026, um dia antes da divulgação pública, e não há registros de que a vulnerabilidade tenha sido explorada por criminosos antes do patch. Para usuários e empresas, a recomendação é sempre manter os aplicativos atualizados e verificar se a versão mais recente do Zoom está instalada.
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