O mercado de streaming entrou numa fase em que o pódio depende de qual régua se usa. Um novo estudo da consultoria Omdia, que projeta o setor até 2031, deixa isso evidente: o YouTube reina absoluto quando o assunto é alcance, mas a Netflix continua sendo a referência quando se fala em assinantes pagantes. São duas lideranças que convivem sem se anular — e que explicam por que comparar as plataformas “no total” raramente faz sentido.
Os números ajudam a dimensionar o abismo de modelos. O YouTube alcança cerca de 2,7 bilhões de usuários ativos mensais em 2026, um patamar que nenhum serviço por assinatura chega perto de tocar — afinal, ele é aberto, gratuito e bancado por publicidade. A Netflix, do outro lado, soma pouco mais de 300 milhões de assinantes, mas todos eles pagando mensalidade. Uma plataforma vence em audiência bruta; a outra, em receita recorrente direta do bolso do espectador.

As projeções para o fim da década reforçam esse equilíbrio de forças. A Omdia estima que, até 2031, a Netflix deve chegar a cerca de 396,2 milhões de assinantes, seguida de longe pelo Prime Video, com expectativa de 220 milhões, e pelo Disney+, com aproximadamente 216 milhões. Já o YouTube tende a converter parte da sua audiência colossal em receita premium, com algo perto de 100 milhões de assinantes do plano pago — sem deixar de ser, na prática, a maior vitrine de vídeo do planeta.
Por trás da resiliência da Netflix está uma estratégia que o estudo destaca: crescer em alcance sem abrir mão de novas fontes de dinheiro. O plano com anúncios, mais barato, é o melhor exemplo — ele abre a porta para quem não quer pagar o valor cheio e, ao mesmo tempo, cria uma nova frente de receita publicitária. Para o assinante brasileiro, que já faz malabarismo entre várias plataformas para caber no orçamento, a leitura é animadora: a disputa por preço e por formatos mais acessíveis tende a continuar quente nos próximos anos.