O YouTube confirmou que vai começar a entregar vídeos no formato AV2 na versão web do serviço no início de 2027. O AV2 é o sucessor do AV1, também livre de royalties, e chega com a promessa de comprimir vídeo cerca de 30% melhor que a geração anterior.
Na prática, esse ganho pode ser usado de duas formas. Com a mesma qualidade de imagem, o vídeo consome menos dados. Com o mesmo volume de dados, a imagem fica mais nítida. Quem decide o equilíbrio é a plataforma, e o YouTube costuma ajustar isso de acordo com a conexão de cada usuário.
De onde vem o AV2
O codec foi desenvolvido pela Alliance for Open Media (AOMedia), consórcio criado em 2015 por empresas como Google, Microsoft, Mozilla, Amazon, Netflix, Intel e Cisco. A ideia do grupo sempre foi ter um padrão de vídeo aberto, sem a cobrança de licenças que acompanha formatos como o H.265 (HEVC). O AV1, lançado em 2018, foi o primeiro resultado, e o próprio YouTube é um dos maiores usuários dele hoje.
O histórico do AV1 mostra o tamanho do desafio. O formato demorou anos para virar padrão porque decodificar vídeo comprimido desse jeito exige muito do processador. O suporte por hardware só se espalhou com chips mais recentes, como as placas GeForce RTX 30, os processadores Snapdragon 8 Gen 2 e os chips A17 Pro e M3 da Apple. Antes disso, rodar AV1 por software em aparelho mais simples esquentava o dispositivo e gastava bateria.
O gargalo está no hardware
Com o AV2 a história deve se repetir. Para o codec ser usado em larga escala, fabricantes de processadores, placas de vídeo, celulares e TVs precisam incluir decodificadores dedicados em novos chips. Até lá, o YouTube deve continuar entregando AV1, VP9 ou H.264 para quem não tiver suporte, como já faz hoje de forma automática.
Por isso a estreia pela web faz sentido. Navegadores conseguem receber atualizações de decodificação por software rapidamente, e computadores de mesa têm fôlego de processamento para isso. Celulares e smart TVs dependem de silício novo, e nenhuma fabricante anunciou datas para chips com AV2.
Por que importa no Brasil
Boa parte dos brasileiros assiste YouTube pelo celular em planos com franquia de dados, e mesmo na banda larga fixa há regiões com conexão instável. Uma redução de cerca de 30% no tamanho do arquivo, mantida a qualidade, significa mais minutos de vídeo pelo mesmo pacote ou menos travamentos em resolução alta. O benefício, porém, só chega para quem tiver aparelho compatível, e isso deve levar alguns ciclos de lançamento.
Se você pretende trocar de celular ou TV só por causa do AV2, não vale a pena agora: não há aparelho anunciado com decodificação dedicada. O YouTube fala em início de 2027 para a web, sem data exata nem cronograma para os aplicativos de celular e TV.
