A YMTC (Yangtze Memory Technologies) definiu uma meta ambiciosa para a próxima fábrica que vai erguer em Wuhan: entre 60% e 70% dos equipamentos da linha devem vir de fornecedores da própria China. O plano foi revelado pela Reuters, com base em pessoas que acompanham o projeto. As obras devem começar em 2027, e a empresa ainda não fechou encomendas formais com nenhum fornecedor.
A meta sobe em relação à terceira unidade, que deve entrar em operação ainda este ano com uma fatia nacional pouco acima de 50%. A YMTC lidera a produção de memória flash no país e está na lista de entidades do Departamento de Comércio dos EUA desde dezembro de 2022. Essa inclusão bloqueia a compra de várias ferramentas de origem americana.
Memória para data center
A nova planta vai fabricar a geração mais densa de NAND da companhia, acima de 300 camadas empilhadas. Mais camadas significam mais gigabytes no mesmo pedaço de silício. O alvo principal são servidores e cargas de inteligência artificial, o mesmo segmento que hoje disputa memória com celulares e PCs.
No empilhamento, a YMTC fica à frente das coreanas instaladas na China. A Samsung adapta a fábrica de Xi’an para 286 camadas, e a SK Hynix tenta levar a unidade de Dalian de 192 para pelo menos 240. No mercado chinês de NAND, a YMTC saltou de 28% em 2025 para 38,5% no segundo trimestre de 2026, segundo a Omdia, e tirou a Samsung do primeiro lugar.
Onde a China ainda depende de fora
Quem ganha com a meta são fabricantes de equipamento como Naura e AMEC. Ferramentas chinesas já respondem por boa parte das etapas mais simples da linha da YMTC, como limpeza e polimento dos wafers. Litografia e inspeção, as partes mais difíceis do processo, seguem com fornecedores estrangeiros. São justamente as áreas que os controles americanos mais restringem. Samsung e SK Hynix também sentem o efeito: precisam de licença renovada todo ano por Washington para levar máquinas dos EUA às suas fábricas chinesas.
Por que importa no Brasil
O consumidor brasileiro já paga a conta da falta de memória, com reajustes em SSD, RAM e até em aparelhos como Kindle e Echo. Mais oferta de NAND saindo da China tende a aliviar o mercado global, mas quem pensa em trocar o SSD não deve contar com esse efeito tão cedo: a quarta fábrica nem começou a ser construída.
Além dela, a YMTC prevê uma quinta unidade em Wuhan. Com a terceira, a quarta e a quinta em plena carga, cada uma deve processar cerca de 100 mil wafers por mês, o que mais que dobra a capacidade atual da empresa.
