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MP de São Paulo processa empresa de escaneamento de íris e pede R$ 240 milhões

O modelo de trocar dados biométricos por dinheiro voltou ao centro do debate no Brasil. O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação contra a Tools for Humanity, empresa por trás do projeto World — a iniciativa de identidade digital ligada à criptomoeda Worldcoin —, acusando a companhia de práticas abusivas na coleta de íris de brasileiros. O pedido é pesado: R$ 240 milhões em indenização por danos morais coletivos.

Segundo o MP, a empresa incorreu em publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e o chamado “vício no consentimento”. A denúncia sustenta que as pessoas escaneadas não recebiam informações claras sobre as finalidades econômicas do projeto, os riscos envolvidos ou o fato de que os dados seriam enviados ao exterior e armazenados em servidores na nuvem. Em troca da leitura da íris, os participantes recebiam quantias entre R$ 300 e R$ 700.

Escaneamento de íris feito pelo projeto World

O ponto mais delicado da ação é o público-alvo. De acordo com a investigação, mais de 400 mil pessoas passaram pelo escaneamento em São Paulo, com a coleta concentrada de forma deliberada em regiões periféricas — atingindo justamente quem está em situação econômica mais frágil. Para o MP, oferecer dinheiro em áreas vulneráveis em troca de um dado biométrico permanente e insubstituível descaracteriza qualquer ideia de consentimento livre e informado.

Não é a primeira vez que o projeto enfrenta resistência por aqui. A ANPD já havia proibido a prática de compensar financeiramente os usuários pela coleta de íris, mas, segundo a ação, a empresa teria seguido oferecendo os pagamentos mesmo após a determinação. O caso reacende uma discussão que só tende a crescer: até onde vai o valor de um dado biométrico e o que acontece quando ele é tratado como moeda de troca. Diferentemente de uma senha, a íris não pode ser “trocada” depois de vazada — e é essa permanência que torna o episódio um alerta importante sobre privacidade na era da identidade digital.



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