A Microsoft admitiu publicamente algo que qualquer pessoa com um notebook de 8 GB já suspeitava: o Windows 11 gasta memória RAM demais, e boa parte da culpa está na própria biblioteca de interface que a empresa usa para construir o sistema.
A declaração veio de Chris Anderson, engenheiro da equipe de interface do Windows, durante o Build 2026. Segundo ele, a companhia “investiu pesado em melhorar significativamente o uso de memória e na transição para um compositor de sistema”. A frase é técnica, mas o subtexto é direto: a WinUI — a camada que desenha os aplicativos e componentes modernos do Windows 11 — produz apps mais lentos, mais instáveis e mais famintos por RAM do que deveria.

Otimização antes de enfeite
O ponto mais interessante do anúncio não é a admissão em si, mas a ordem de prioridades que ela estabelece. A Microsoft disse que vai focar em desempenho, fundamentos e qualidade antes de adicionar novos recursos visuais — e que só vai migrar componentes-chave do sistema, como o Menu Iniciar, para o WinUI depois de resolver os gargalos atuais.
Isso é uma reversão de postura relevante. Nos últimos ciclos, o Windows 11 acumulou camadas de efeitos, transparências e redesenhos parciais enquanto o desempenho básico ficava para depois. O resultado é conhecido: um sistema que abre as Configurações com meio segundo de atraso, um Explorador de Arquivos que engasga em pastas grandes e uma sensação geral de que a máquina ficou mais lenta depois da atualização, mesmo com o hardware intacto.
O que isso significa na prática por aqui
Para o mercado brasileiro, o assunto tem peso extra. A maior parte dos notebooks vendidos em varejo nacional na faixa acessível ainda sai de fábrica com 8 GB de RAM, muitas vezes soldados na placa e sem possibilidade de expansão. Nessa configuração, cada centena de megabytes que o sistema operacional desperdiça vira paginação em disco e queda de desempenho perceptível — especialmente com um navegador aberto ao lado.
Nada disso tem prazo definido. A Microsoft falou em implementação “em breve”, antes da próxima atualização de design do Windows, sem cravar versão ou data. Quem estiver sofrendo agora com um PC engasgado tem dois caminhos práticos e imediatos: reduzir programas em segundo plano e efeitos visuais nas configurações de desempenho, ou — quando o aparelho permitir — encarar um upgrade de memória, que segue sendo a intervenção com melhor custo-benefício em máquinas de 8 GB.
Produtos relacionados: