O WhatsApp vai trocar de comando. Will Cathcart, que liderava o mensageiro desde março de 2019, anunciou sua saída após quase sete anos à frente do aplicativo mais usado do Brasil e de boa parte do mundo. Em sua despedida, o executivo afirmou que “o WhatsApp está na posição mais forte que já esteve — e isso parece ser o momento certo” para passar o bastão. Sob sua gestão, o app cresceu para mais de 3 bilhões de usuários ativos mensais e ganhou recursos como chamadas de vídeo em grupo, pagamentos e a aba de Comunidades.
A escolha do sucessor diz muito sobre as prioridades da Meta. Quem assume é Kunal Shah, fundador da fintech indiana CRED — um nome ligado diretamente ao mercado da Índia, que é o maior do WhatsApp em número de usuários. Mark Zuckerberg, que chamou Cathcart de “um dos líderes mais importantes e eficazes da Meta”, destacou que Shah “transformou a CRED em uma das empresas de tecnologia mais importantes da Índia”. A leitura é clara: a empresa quer acelerar a monetização e os serviços financeiros dentro do mensageiro.

A movimentação vem acompanhada de cifras que reforçam a aposta. Segundo as informações divulgadas, a Meta investirá cerca de US$ 900 milhões na startup ligada a Shah, em uma operação que elevaria sua avaliação em US$ 4,5 bilhões. Não é coincidência: a Índia concentra a maior base de usuários do WhatsApp e é um laboratório de pagamentos via aplicativo, modelo que a Meta tenta replicar globalmente — inclusive no Brasil, onde o WhatsApp Pay e a integração com o Pix vêm avançando aos poucos.
Para o usuário brasileiro, a troca de liderança não muda nada no curto prazo, mas sinaliza a direção dos próximos anos: um WhatsApp cada vez mais focado em comércio, atendimento de empresas e transações financeiras, e menos apenas no bate-papo. A chegada de um especialista em fintech ao topo deixa pouca dúvida de que a próxima fase do aplicativo passa pelo seu potencial como plataforma de negócios — uma evolução que promete render boas discussões sobre privacidade e sobre o peso que o mensageiro terá no dia a dia financeiro de quem o usa.