O WhatsApp anunciou nesta segunda-feira (25) um pacote de novos recursos de segurança para dificultar o roubo de contas — um dos golpes mais comuns no Brasil. A lista inclui uma verificação em duas etapas reforçada, suporte a múltiplas chaves de acesso (passkeys) e uma tela com mais contexto sobre quem liga de números desconhecidos.
A mudança mais visível está na verificação em duas etapas. O mecanismo, que hoje se limita a um PIN de 6 dígitos, vai evoluir para senhas completas, com letras, números e caracteres especiais. Na prática, isso aproxima o WhatsApp do padrão de segurança de serviços como e-mail e bancos: uma senha longa e única é muito mais resistente a ataques de força bruta e a chutes baseados em datas de nascimento — exatamente o tipo de deslize que facilita a clonagem de contas por aqui.

Outra novidade ataca um problema cotidiano: as chamadas de desconhecidos. Antes de o usuário atender, o aplicativo passará a exibir informações sobre o remetente, indicando, por exemplo, se o perfil é estrangeiro ou se vocês compartilham grupos em comum. Para o brasileiro, que convive diariamente com ligações de golpistas se passando por bancos e entregadores, esse contexto extra pode ser a diferença entre cair numa armadilha e recusar a chamada sem culpa.
Por fim, o WhatsApp vai permitir mais de uma passkey por conta. As chaves de acesso — que substituem senhas por biometria ou o desbloqueio do próprio aparelho — já são usadas por mais de 1 bilhão de pessoas, segundo a Meta, e com o suporte múltiplo será possível manter chaves separadas ao alternar entre dispositivos Android e iOS sem perder o acesso protegido. As opções ficarão reunidas em Configurações > Conta > Chaves de acesso.
Todos os recursos ainda estão em desenvolvimento, sem data confirmada para chegar ao público — o caminho natural é aparecerem primeiro nas versões beta. De qualquer forma, o recado da Meta é claro: a conta do WhatsApp virou um documento digital, e a proteção dela está deixando de depender de um PIN de 6 números.
