A Vivo estaria testando uma câmera principal com bem menos megapixels no X500 Ultra, seu próximo topo de linha. Segundo o informante chinês Digital Chat Station, o protótipo de engenharia mais recente do aparelho usa um sensor de 50 MP, e não o de 200 MP que equipa o Vivo X300 Ultra. No papel parece um passo para trás. Na prática, a troca pode render fotos melhores em cenas difíceis.
O que o vazamento diz
O sensor citado é o Sony LYTIA L910, de 1/1,28 polegada. Ele estaria montado atrás de uma lente com distância focal equivalente a 35 mm, mais fechada que o padrão do mercado. A maioria dos celulares usa algo entre 23 mm e 26 mm na câmera principal, o que dá um enquadramento mais aberto. Com 35 mm, o campo de visão se aproxima do olho humano e de lentes fixas populares em câmeras compactas, uma escolha comum entre fotógrafos de rua.
A informação vem de uma unidade de testes, então ainda pode mudar até o lançamento. Digital Chat Station tem um histórico bom de acertos com fabricantes chinesas, mas a Vivo não confirmou nada sobre o X500 Ultra até agora.
Por que menos megapixels pode ser melhor
A Sony anunciou o L910 em junho, e ele é o primeiro sensor da empresa com tecnologia LOFIC. A sigla descreve um capacitor extra ao lado de cada pixel. Quando a luz é forte demais e o capacitor principal satura, a carga excedente vai para esse segundo reservatório em vez de se perder. O resultado esperado é mais faixa dinâmica: céu com detalhe e sombra sem virar borrão preto na mesma foto, sem depender tanto de empilhar várias exposições por software.
Sensores de 200 MP têm pixels minúsculos e quase sempre trabalham agrupando blocos deles para formar fotos de 12 ou 50 MP. A vantagem real aparece no zoom digital e em fotos com muita luz. Um sensor de 50 MP com área parecida tem pixels maiores por natureza, o que costuma ajudar no ruído à noite. Some a isso o LOFIC e a troca faz sentido para quem fotografa contraluz, shows e cenas noturnas.
O ponto discutível é a lente de 35 mm. Ela favorece retratos e fotos de rua, mas fecha o quadro em paisagens e ambientes internos apertados, o que empurraria mais uso para a ultrawide. Se a Vivo mantiver uma boa grande-angular no conjunto, o equilíbrio funciona. Se não, quem gosta de enquadrar tudo vai sentir falta dos 24 mm.
E no Brasil?
A linha X da Vivo não é vendida oficialmente no país, e os modelos Ultra costumam estrear primeiro na China. Quem quiser o aparelho vai depender de importação, com garantia limitada e preço inflado por impostos. A escolha de sensor, porém, interessa mesmo a quem nunca vai comprar um Vivo: o L910 é da Sony, que fornece sensores para boa parte das marcas Android, e o LOFIC deve aparecer em outros celulares nos próximos ciclos.
A Vivo ainda não divulgou data de lançamento nem preço do X500 Ultra.
