Pesquisadores da empresa de segurança ThreatFabric identificaram um novo malware para Android chamado Manic — uma ameaça que combina roubo de credenciais bancárias com recursos avançados de vigilância digital. O que torna esse vírus particularmente preocupante é sua capacidade de enviar os dados capturados mesmo quando o aparelho infectado está completamente sem acesso à internet.
Os primeiros registros do Manic datam de fevereiro de 2026, mas o malware evoluiu significativamente entre maio e julho, incorporando mecanismos que dificultam a análise por ferramentas de segurança. A campanha mais intensa foi detectada na Ucrânia, mas a lista de alvos inclui aplicativos financeiros de uso global, o que expande o risco para usuários em vários países.
Como o Manic opera
A infecção começa normalmente por páginas falsas ou aplicativos disfarçados de utilitários de sistema. Após a instalação, o malware induz o usuário a conceder permissões de acessibilidade e leitura de notificações — dois tipos de acesso que, juntos, dão ao vírus controle quase total sobre o dispositivo.
Para capturar senhas, o Manic sobrepõe uma camada invisível sobre o teclado, registrando a posição exata de cada toque sem exibir uma tela falsa visível ao usuário. A coleta vai além das senhas: o malware grava a tela em tempo real, coleta mensagens com códigos de confirmação (tokens de autenticação em dois fatores), extrai contatos e localização geográfica, e tenta desativar o Google Play Protect.

Roubo de dados offline — o diferencial do Manic
O mecanismo mais inovador do Manic é a transmissão de dados sem internet. O malware utiliza Wi-Fi Direct e Bluetooth para criar uma cadeia de retransmissão entre dispositivos infectados próximos, com suporte a até quatro saltos. Na prática, isso significa que, mesmo em um celular sem chip ativo ou sem Wi-Fi, os dados podem chegar ao servidor dos criminosos se houver outros aparelhos comprometidos nas proximidades.
O malware monitora 169 identificadores de aplicativos, incluindo bancos e serviços de pagamento, corretoras de criptomoedas, carteiras digitais, aplicativos estatais de identidade, autenticadores e apps de mensagens. As regiões mais afetadas até o momento são Ucrânia, Polônia, Alemanha, França, Espanha, Reino Unido e Rússia, além de plataformas globais de pagamento.
Como se proteger
A principal linha de defesa continua sendo evitar instalar aplicativos fora da Google Play Store oficial. Aplicativos legítimos raramente precisam de permissão de acessibilidade — qualquer solicitação desse tipo por parte de um utilitário desconhecido é um sinal de alerta claro. Manter o sistema operacional e os aplicativos atualizados também reduz a superfície de ataque, já que correções de segurança fecham brechas exploradas por malwares como o Manic.
