O mercado brasileiro de smartphones encolheu 11% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um relatório da consultoria Counterpoint Research. A queda acompanha o que já vinha sendo medido na América Latina e no mundo, e tem um culpado principal: a crise dos chips de memória.
Por que o mercado encolheu
A disparada da demanda por memória para servidores de inteligência artificial desequilibrou a oferta. Com componentes mais caros e escassos, as fabricantes ficaram com estoques menores, reajustaram preços e passaram a empurrar modelos mais caros, que deixam margem maior. A Counterpoint cita ainda outros dois fatores: a produção nacional diminuiu e o consumidor ficou mais cauteloso antes de trocar de aparelho.
Ranking das marcas
O top 5 do semestre no Brasil ficou assim:
- Samsung, com 42% das vendas
- Motorola, com 31%
- Xiaomi, com 7%
- Apple, também com 7%
- Infinix, com 3%
Mesmo num mercado em queda, três marcas venderam mais. A Samsung cresceu 10% e segue isolada no topo. A Motorola subiu 1%. E a Apple teve o melhor desempenho do período, com alta de 19%, o que a deixou empatada em participação com a Xiaomi. A chinesa foi uma das mais afetadas pela falta de memória — com a ressalva de que parte relevante das vendas dela passa por aparelhos importados em marketplaces, volume que pode não aparecer inteiro no levantamento.

A Counterpoint também aponta que a chegada de marcas como Jovi e Honor esquentou a disputa, mas que elas, junto com Oppo e Realme, perderam participação no semestre.
O que o consumidor está comprando
Os números confirmam que o brasileiro continua comprando celular pelo preço. 78% das vendas foram de aparelhos abaixo de R$ 1.200, faixa que resistiu mesmo com os reajustes. O modelo mais vendido do país foi o Galaxy A07 4G, responsável sozinho por 8,3% de todas as unidades — um bom resumo de como a Samsung sustenta a liderança com linhas de entrada e intermediárias.
Por que importa
Para quem está pensando em trocar de celular, o recado é que a pressão de preço não é impressão: ela vem da cadeia de componentes e deve continuar enquanto a demanda de IA seguir sugando memória. No segundo trimestre, o mercado global já tinha registrado o pior resultado para o período desde 2013. A tendência é de modelos básicos com menos armazenamento pelo mesmo preço, ou do mesmo aparelho custando mais.
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