A União Europeia acaba de suavizar uma das regras de tecnologia mais comentadas dos últimos anos. A Comissão Europeia aprovou nesta terça-feira (14) um ato que isenta os wearables — categoria que inclui smartwatches, pulseiras de atividade, fones sem fio e óculos inteligentes — da exigência de bateria facilmente removível pelo usuário, que estava prevista para valer em 2027. Com isso, produtos como o Apple Watch, os AirPods e os óculos inteligentes da Meta não precisarão ser redesenhados para permitir a troca de bateria em casa.
Para entender o tamanho da decisão, vale relembrar o contexto. A legislação europeia de baterias determina que, a partir de 18 de fevereiro de 2027, uma série de eletrônicos vendidos no bloco tenha baterias que o próprio usuário consiga remover e substituir sem ferramentas especializadas — e, se alguma ferramenta for necessária, ela deve vir de graça com o produto. A medida mira reduzir lixo eletrônico e prolongar a vida útil dos aparelhos, mas sempre esbarrou na realidade de dispositivos muito compactos e selados, onde abrir o gabinete é tecnicamente complicado.

Foi exatamente esse o argumento aceito pela Comissão. Segundo o órgão, muitos wearables são feitos para funcionar em ambientes úmidos ou molhados, e o usuário dificilmente conseguiria vedar novamente o compartimento da bateria depois de trocá-la — o que criaria risco à segurança. O ato também contempla brinquedos eletrônicos, aparelhos que apresentariam risco de engasgo se a bateria fosse removível, e equipamentos usados em atmosferas explosivas. Em resumo: casos em que abrir o aparelho traria mais perigo do que benefício. Vale notar que a exigência continua de pé para celulares e tablets, que são o coração da regra.
Para o consumidor brasileiro, o recado é indireto, mas relevante. Boa parte do que se vende aqui segue o padrão desenhado para a Europa — é o chamado “efeito Bruxelas”, que já ditou a adoção do USB-C nos iPhones e as regras do GDPR mundo afora. Com a isenção dos wearables, o seu próximo relógio ou fone premium deve continuar exatamente com o formato selado de hoje. E, mesmo entre os celulares, uma brecha da lei tende a preservar os topo de linha: aparelhos com bateria durável e boa resistência à água podem escapar da obrigação de facilitar a troca — algo que os principais modelos de Apple e Samsung já cumprem. Ou seja, a revolução da bateria removível, se vier, deve começar bem longe dos aparelhos mais caros.
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