Na noite de domingo (1º), dois sistemas estatais de alerta de emergência, um na Ucrânia e outro na Rússia, foram invadidos e passaram a mandar mensagens falsas para os celulares da população. Os textos falavam em ameaça nuclear, ataque químico e confronto armado nas ruas. A invasão aconteceu poucas horas antes do fim de um cessar-fogo na região ucraniana de Kherson.
O que aconteceu em cada país
Do lado ucraniano, o alvo foi o Air Alarm, o aplicativo que avisa os moradores sobre bombardeios. Usuários receberam o alerta de grau máximo contra bombardeio vindo do céu, junto com avisos inventados de vazamento radioativo e de tiroteios dentro de Kiev. O Ministério da Transformação Digital confirmou que o serviço tinha sido comprometido e o tirou do ar por um período.

Na Rússia, a vítima foi a plataforma de avisos do Ministério de Situações de Emergência, que classificou o caso como ataque em massa. As mensagens que chegaram aos russos usavam tom coloquial, raro em comunicado oficial, e citavam ogivas nucleares.
Por que um app de alerta fora do ar é perigoso
Num país sob bombardeio quase diário, a notificação no celular é o que dá aos moradores alguns minutos para chegar a um abrigo. Se o canal mente, a população aprende a ignorá-lo. Se ele é desligado para conserto, fica todo mundo sem aviso. Herbert Lin, pesquisador sênior de política e segurança cibernética da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, disse que esta é a primeira vez que o app oficial ucraniano é usado dessa forma e que espera ver o episódio se repetir.
A resposta de Kiev foi lembrar que o smartphone não pode ser o único meio de aviso. O governo ucraniano voltou a defender sirenes de rua, transmissões de rádio e canais oficiais paralelos, para que a queda de um sistema não deixe ninguém desavisado. A lógica vale para qualquer país: quanto mais o alerta depende de um único servidor, mais barato fica para um invasor causar pânico.
O Brasil já passou por isso
O caso lembra um episódio recente por aqui. Um sistema usado pela Defesa Civil para disparar alertas a celulares também foi invadido, e moradores de vários estados receberam notificações com a palavra “misantropia”. A mensagem não tinha ordem de evacuação nem ameaça concreta. O mecanismo explorado, porém, é o mesmo: quem controla o disparo fala direto com milhões de aparelhos, com o selo do governo.
Até a publicação desta nota, nem Kiev nem Moscou informaram quem estaria por trás das invasões nem quantos celulares receberam as mensagens falsas.
