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Uber pode baixar o preço das corridas depois de cortar 10% da equipe, diz CEO

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Uber pode baixar o preço das corridas depois de cortar 10% da equipe, diz CEO

O preço da corrida de aplicativo pode cair — e, segundo o próprio CEO da Uber, o motivo seria a demissão de cerca de 3.300 funcionários corporativos no início do mês. Dara Khosrowshahi levantou a possibilidade durante participação em uma conferência do Goldman Sachs, ao ser questionado sobre o destino do dinheiro economizado com o corte.

A explicação do executivo é direta: a economia com folha de pagamento entra num caixa que vai bancar melhorias no aplicativo, e uma dessas frentes é manter as tarifas competitivas frente à concorrência, com a possibilidade de reduzi-las. Mas ele mesmo colocou a ressalva importante. Uma queda real no valor das corridas depende de baixar o custo do seguro, item que consome uma fatia significativa da receita de cada viagem e que a Uber não controla sozinha.

Khosrowshahi também fez questão de desassociar os cortes de qualquer aperto financeiro. Segundo ele, a empresa vem batendo as expectativas do mercado nos balanços recentes, e a demissão teve como objetivo enxugar camadas de gestão e simplificar a estrutura organizacional. É o mesmo discurso que várias empresas de tecnologia adotaram nos últimos anos ao anunciar demissões em meio a resultados positivos.

Para o passageiro brasileiro, convém separar o que é promessa do que é mecânica de mercado. O preço da corrida por aqui é definido por algoritmo, oscila com demanda e horário e responde muito mais à disputa com a concorrência local do que a uma decisão global de cortar custos. A fala do CEO sinaliza disposição de brigar por preço, não um desconto anunciado — e nada disso muda o que o motorista parceiro recebe por viagem, que é a outra metade da conta e continua sendo o principal ponto de atrito da categoria no país.

Vale acompanhar o desdobramento nos próximos balanços. Se a redução de tarifa realmente acontecer, ela deve aparecer primeiro nos mercados onde a Uber enfrenta concorrência mais agressiva — e o Brasil, com aplicativos rivais brigando por motorista e passageiro ao mesmo tempo, se encaixa bem nesse perfil.



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