Quem espera por um celular, um PC ou uma placa de vídeo nova pode ter que lidar com preços ainda mais salgados nos próximos meses. A TSMC, maior fabricante de chips do mundo, estaria preparando um aumento generalizado nos valores cobrados para produzir semicondutores — um movimento que tende a respingar em praticamente todo o mercado de eletrônicos.
De acordo com informações que circulam no setor, a empresa taiwanesa pretende reajustar quase todos os seus nós de produção em algo entre 5% e 10%. A meta seria elevar a margem de lucro bruta da companhia em cerca de 2 pontos percentuais. A diretoria já teria orientado as equipes comerciais a encontrar formas de aplicar os novos valores junto aos clientes. O cenário acompanha um movimento parecido da rival Samsung, o que reforça a tendência de alta em toda a cadeia.

Por trás do reajuste estão três pressões principais. A primeira é a demanda explosiva por chips de inteligência artificial, que mantém as fábricas da TSMC praticamente lotadas e dá à empresa poder para cobrar mais. A segunda são os custos elevados da litografia de ultravioleta extremo (EUV), a tecnologia usada nos processos mais modernos. E a terceira é o gasto crescente com técnicas avançadas de empacotamento, etapa cada vez mais importante para juntar vários chips em um único pacote de alto desempenho.
O problema é que a TSMC é fornecedora estratégica de quase todo mundo. Ela fabrica os processadores do iPhone, da Apple, as placas de vídeo da Nvidia e boa parte dos chips de AMD e Intel. Quando o custo na origem sobe, cada fabricante precisa decidir se engole o prejuízo ou se repassa a conta ao consumidor — e a história recente mostra que o repasse é o caminho mais comum. Para o comprador brasileiro, que já paga caro por impostos e câmbio, o recado é direto: smartphones, notebooks e componentes de PC podem ficar mais caros lá na frente, o que torna boas promoções ainda mais valiosas e reforça a lógica de comprar quando o preço estiver realmente atrativo.