Um empregado da TIM foi preso na quarta-feira (4), no Rio de Janeiro, sob suspeita de colocar o acesso que tinha aos sistemas da operadora a serviço de criminosos. De acordo com a Polícia Civil, ele migrava linhas de assinantes para chips controlados pelo grupo, prática conhecida como SIM swap. A irmã dele também acabou detida, acusada de colaborar.
Operação Chave Mestra
A prisão faz parte da Operação Chave Mestra, comandada pela Polícia Civil gaúcha por meio da Delegacia de Investigação de Crimes Especiais. Os agentes cumpriram 28 ordens judiciais em quatro unidades da federação: Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e Distrito Federal. Até agora, cinco pessoas foram presas. No Rio, os investigadores tiveram apoio da delegacia fluminense especializada em crime organizado.
Os irmãos foram levados para a sede da Polícia Civil no Centro do Rio. Os crimes atribuídos a eles são lavagem de dinheiro, organização criminosa e invasão de dispositivo informático. Somadas, as penas podem passar de 20 anos.
Como funciona o golpe
No SIM swap, o criminoso faz o número da vítima passar a funcionar em outro chip. A partir daí, recebe as ligações e os SMS dela, incluindo os códigos de verificação que bancos, WhatsApp e redes sociais mandam por mensagem. Com isso, consegue redefinir senhas e assumir contas. A vítima costuma perceber só quando o celular fica sem sinal de repente.
Em geral, a troca exige enganar o atendimento da operadora com documentos falsos ou dados vazados. O caso do Rio é mais grave. Segundo a investigação, o pedido nem precisava passar por essa etapa, porque quem fazia a migração era alguém de dentro, com credencial legítima. Nenhuma checagem de identidade feita com o cliente segura esse tipo de fraude.
O que reduz o estrago
A defesa mais eficaz é tirar o número de telefone do papel de chave das contas importantes. Trocar o código por SMS por um aplicativo autenticador ou por chave de acesso (passkey), onde o serviço permitir, e ativar a verificação em duas etapas do WhatsApp com PIN próprio limita o que o golpista consegue fazer mesmo com a linha nas mãos. Se o celular perder o sinal sem explicação, ligue para a operadora de outro aparelho e avise o banco na mesma hora.
Até agora, a operação soma cinco presos e 28 mandados cumpridos nos quatro estados. A polícia não divulgou quantos clientes da TIM tiveram linhas desviadas nem quanto dinheiro o grupo movimentou.
