Um robô humanoide chamado Tiangong Ultra completou os 100 metros rasos em 8,64 segundos durante a segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, realizada em Pequim. O número chama atenção pelo motivo óbvio: o recorde mundial de Usain Bolt, de 2009, é de 9,58 segundos. Na comparação bruta, a máquina foi quase um segundo mais rápida que o ser humano mais veloz já cronometrado.
Vale a ressalva antes que a manchete vire outra coisa: nada disso é um recorde de atletismo. A prova acontece entre robôs, com regras próprias, e a comparação com Bolt é retórica — serve para dar escala ao avanço, não para colocar máquina e atleta na mesma tabela. O que impressiona de verdade é a curva. O próprio Tiangong Ultra começou o torneio marcando 9,39 segundos, baixou para 8,86 nas classificatórias e só então cravou os 8,64 que valeram o ouro. Três tentativas, quase um segundo de melhora.
O evento reuniu mais de 2.000 robôs em 51 competições diferentes, e essa escala diz mais sobre o estado da robótica chinesa do que qualquer tempo isolado. Um espectador resumiu bem a diferença entre as edições: os robôs do ano passado pareciam rígidos e descoordenados, e os deste ano, não. Corrida é justamente o teste que expõe isso — durante boa parte da passada, o robô não tem nenhum pé no chão e precisa decidir onde apoiar o próximo antes de cair.
Para o leitor brasileiro, o recado prático não é a corrida em si. É que o mesmo tipo de controle que mantém um humanoide de pé a 40 km/h é o que, mais adiante, permite que essas máquinas trabalhem em galpões, linhas de montagem e ambientes irregulares — e a China vem tratando isso como uma corrida industrial, com competição pública e financiamento estatal por trás. O robô que corre é a vitrine; o que interessa às fábricas é o que ele aprendeu para não cair.
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