
Faz tempo que os fãs de Dino Crisis imploram por um sucessor à altura, e a Capcom segue sem dar sinais. Quem promete preencher esse vazio é The Lost Wild, jogo de terror e sobrevivência desenvolvido pela Great Ape Games e publicado pela Annapurna Interactive. A proposta é direta: sobreviver em uma ilha tomada por dinossauros, vistos não como troféus de caça, mas como ameaças reais e imprevisíveis. Em vez de munição farta e tiroteios, o jogo aposta na sensação constante de estar em desvantagem.
A protagonista é Saskia, que desperta sozinha em meio a uma ilha misteriosa e precisa entender o que aconteceu ali enquanto tenta permanecer viva. Diferentemente dos jogos de ação, a fantasia aqui não é a de poder, e sim a de fragilidade. O jogador é incentivado a observar o comportamento dos dinossauros, planejar cada passo e usar ferramentas não letais — como uma pistola de sinalização — para assustar as criaturas e abrir brechas de fuga. Vasculhar instalações abandonadas em busca de recursos, se esconder e criar distrações fazem parte do dia a dia da sobrevivência.
A comparação com o clássico da Capcom é inevitável, mas The Lost Wild busca sua própria identidade. A perspectiva em primeira pessoa intensifica o sufoco: em vez da câmera distante de Dino Crisis, o jogador encara os predadores de pertinho, com animais que têm hábitos observáveis e reagem ao ambiente. É uma fórmula que dialoga mais com o terror de imersão moderno do que com o survival horror dos anos 1990, ainda que beba diretamente daquela fonte. O resultado promete momentos de tensão em que correr quase sempre é melhor do que enfrentar.
Para o público brasileiro, que tem uma relação afetiva forte com a era PS1 e PS2, a chegada de um herdeiro espiritual de Dino Crisis é motivo de empolgação — ainda mais com o selo da Annapurna, conhecida por bancar jogos autorais de qualidade. O título está previsto para 2027, em PS5 e PC, sem data exata até o momento. Até lá, fica a expectativa: se entregar o clima que o material de divulgação sugere, The Lost Wild pode se tornar a aventura de dinossauros que muita gente esperava há mais de duas décadas.

