
A trégua nas compras internacionais pode ter prazo de validade. O Ministério da Fazenda sinalizou que o governo está disposto a propor a volta da tributação sobre encomendas de até US$ 50 — a chamada “taxa das blusinhas” — caso os dados mostrem que as importações estão desequilibrando a concorrência com o varejo instalado no país. Segundo o secretário-executivo Dario Durigan, a equipe econômica acompanha os números de forma contínua e pode levar ao presidente uma proposta de mudança de cenário se a leitura apontar prejuízo à indústria e ao comércio nacionais.
Os números que alimentam essa discussão são expressivos. Só em junho de 2026, mais de 28 milhões de encomendas entraram no Brasil, um salto de 107% em relação ao mesmo período de 2025, somando cerca de US$ 574 milhões — algo próximo de R$ 2,9 bilhões. Quando a cobrança estava em vigor, a partir de agosto de 2024, ela chegou a render R$ 8,2 bilhões aos cofres públicos. A suspensão foi anunciada em maio deste ano por medida provisória, que ainda precisa passar pelo Congresso em até 120 dias após a publicação no Diário Oficial.
Para quem compra tecnologia, o efeito prático é direto. Boa parte do que sai barato em plataformas asiáticas — fones sem fio, carregadores, cabos, smartwatches, acessórios de celular e periféricos de PC — cabe justamente na faixa de até US$ 50. Sem a taxa, esses itens ficaram sensivelmente mais competitivos frente ao que se encontra no varejo brasileiro; com a taxa de volta, a conta muda de novo, e o cálculo de “vale a pena importar?” precisa ser refeito item a item.
O jogo político é previsível e já está armado. Entidades da indústria e do comércio, como CNC e Fiemg, defendem o retorno da cobrança sob o argumento de isonomia tributária: o produto nacional paga impostos que o pacote importado deixou de pagar. Do outro lado, a Amobitec, que representa plataformas de comércio eletrônico, sustenta que a isenção beneficia diretamente o consumidor de menor renda, que usa esse canal para comprar itens que aqui custariam bem mais.
Enquanto a decisão não sai, vale a leitura fria: nada mudou por enquanto, e a isenção continua valendo. Mas quem estava adiando uma compra pequena lá fora tem agora um motivo a mais para não deixar para depois — e quem prefere prazo curto e garantia local encontra os mesmos tipos de acessório em vendedores nacionais, sem risco de tributação retroativa nem espera na alfândega.
Acessórios que costumam cair na faixa de até US$ 50 — com envio nacional: