O pacote de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros gerou uma corrida natural de perguntas sobre o preço dos eletrônicos — e a resposta, ao contrário do que muita gente esperava, é tranquilizadora. Computadores portáteis, smartphones, teclados, scanners, semicondutores, monitores e projetores ficaram de fora das taxas. A lista de isenções reúne 699 produtos e soma US$ 22,8 bilhões em comércio.
As medidas vieram em duas etapas. Em 22 de julho de 2026, uma tarifa de 25% foi aplicada com base na Seção 301, sob alegação de práticas comerciais desleais — o texto cita desde o Pix até a taxação do etanol americano. Dois dias depois, em 24 de julho, veio uma segunda taxa de 12,5%, dessa vez sob acusação de trabalho forçado. Somadas, elas chegam a 37,5% para determinados itens, e o primeiro pacote atingiu 2.375 produtos, o equivalente a US$ 7,2 bilhões nas exportações de 2025.

Por que o impacto no Brasil é pequeno
A explicação é de logística, não de política. O eletrônico que chega às lojas brasileiras raramente vem dos Estados Unidos: ou é montado localmente, na Zona Franca de Manaus, ou é importado da Ásia. A tarifa americana incide sobre o que o Brasil exporta para lá — e o consumidor daqui só sentiria um encarecimento direto se o Brasil resolvesse taxar eletrônicos fabricados em solo americano, algo raro, como observou o advogado Antônio Carlos Morad.
O economista Gabriel Sarmento Eid resume o ponto de forma direta ao afirmar que o câmbio é o verdadeiro vilão. É a volatilidade do dólar que pressiona os preços, e ela funciona por via indireta: encarece componentes, frete e a reposição de estoque, mesmo quando nenhuma tarifa muda de lugar. Uma smart TV 4K ou um notebook na prateleira brasileira responde muito mais à cotação da moeda do que a um anúncio em Washington.

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A recomendação geral dos especialistas, portanto, é não correr para as lojas. Vale acompanhar a cotação do dólar e os comunicados das próprias fabricantes, que costumam sinalizar reajustes com antecedência. Se algum movimento de preço vier nos próximos meses, a origem mais provável estará no câmbio e no custo de memória e componentes — pressões que já vinham antes deste tarifaço e seguem valendo independentemente dele.