O mercado mundial de tablets encolheu 23% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da consultoria Omdia. As remessas caíram de 41,8 milhões para 32,2 milhões de unidades, ou seja, 9,6 milhões de aparelhos a menos saindo das fábricas rumo ao varejo. A Apple continua na liderança, com 36% de participação, mas as remessas de iPad recuaram 27,5% no mesmo intervalo.
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Os números da Omdia permitem uma conta simples. Com 36% de 32,2 milhões, a Apple enviou cerca de 11,6 milhões de iPads no período. Uma queda de 27,5% indica que, um ano antes, esse volume estava perto de 16 milhões, o que dava à empresa algo em torno de 38% do setor. A liderança segue folgada. A fatia, porém, diminuiu.
As demais fabricantes, somadas, passaram de cerca de 25,8 milhões para 20,6 milhões de unidades, uma retração próxima de 20%. É um resultado ruim, mas menos ruim que o da Apple. Os dados divulgados até agora não detalham a posição de cada concorrente no ranking, então não dá para dizer qual marca segurou melhor as vendas.
Memória cara, tablet mais caro
O pano de fundo é a crise dos chips de memória, que encareceu DRAM e armazenamento para toda a indústria de eletrônicos de consumo. Tablet é um produto de margem apertada na maior parte das faixas de preço, e quando a memória fica mais cara a fabricante tem duas saídas: repassar o custo ao consumidor ou produzir menos. Os números da Omdia sugerem que o setor fez as duas coisas.
No Brasil, o efeito já chegou à etiqueta. A Apple confirmou que aumentaria preços por causa da crise das memórias e reajustou Mac e iPad no mercado brasileiro. Em um país onde o tablet já custa caro pela carga de impostos, qualquer alta de componente pesa mais no preço final.
Na nossa leitura, quem pretende comprar um iPad ou um Android de tela grande não deve esperar queda de preço no curto prazo. Se você precisa do aparelho agora, a melhor janela é o estoque ainda vendido com preço anterior ao reajuste. Se o tablet atual dá conta do recado, segurar a troca faz mais sentido do que pagar o custo da crise.
Para voltar aos 41,8 milhões de unidades do ano passado, o mercado precisaria crescer cerca de 30% sobre o volume atual de 32,2 milhões.
