Um filme pode ser um desastre de bilheteria e, semanas depois, virar o conteúdo mais assistido de um serviço de streaming. Foi o que aconteceu com Supergirl: a produção da DC Studios chegou ao catálogo do HBO Max na quinta-feira, 10 de setembro, e em cerca de 24 horas já ocupava a primeira posição entre os filmes mais vistos da plataforma.
O contraste com o desempenho nas salas é o que chama atenção. O longa custou US$ 170 milhões — algo em torno de R$ 935 milhões na conversão direta — e arrecadou US$ 126 milhões no mundo inteiro, o equivalente a mais ou menos R$ 693 milhões. Como blockbuster de super-herói precisa faturar bem mais do que o orçamento para se pagar, contando marketing e a divisão com exibidores, a Warner Bros. encerrou a exibição nos cinemas depois de apenas cinco semanas, um ciclo curto para um filme desse porte.

Segundo apuração do site The Hollywood Reporter, a produção teve um caminho turbulento: houve atritos criativos entre o diretor Craig Gillespie e James Gunn, co-CEO da DC Studios, e as sessões de teste com público tiveram recepção morna. O roteiro parte de “Supergirl: Mulher do Amanhã”, arco de Tom King publicado nos quadrinhos e bem recebido pela crítica — material forte, portanto, que não se converteu em público pagante.
Para o espectador brasileiro, o episódio diz menos sobre a qualidade do filme e mais sobre como o hábito de consumo mudou. A barreira de um ingresso de cinema para a família inteira é alta; a mesma obra, incluída numa assinatura que a pessoa já paga, custa o esforço de apertar um botão. Não é a primeira vez que um título “morto” nas telonas ressuscita no streaming, e a Warner vem usando exatamente essa segunda janela para recuperar parte do investimento — o que não apaga o prejuízo contábil, mas alimenta o catálogo que segura o assinante mês a mês.
