A briga das gravadoras com a Suno ganhou um segundo capítulo, bem maior que o primeiro. Sony Music e Universal Music Group entraram com uma nova ação contra a plataforma de música por IA num tribunal federal de Boston, nos Estados Unidos, no dia 18 de setembro. Desta vez a lista de obras supostamente usadas sem licença tem 60.202 gravações, contra as 560 citadas no processo aberto em 2024.
O novo caso nasceu de uma negativa. As gravadoras tentaram incluir mais de 61 mil obras na ação original, mas o juiz recusou o pedido para não atrasar a análise das acusações iniciais e abriu a porta para um processo separado. Depois de revisar os dados de treinamento, Sony e Universal chegaram às 60.202 faixas, que, segundo elas, são só uma parte do que teria sido usado.

O alvo agora é a Suno v6
A ação mira a versão 6 do gerador, lançada recentemente com a promessa de ter sido treinada com conteúdo licenciado e com criações dos próprios usuários. Para as gravadoras, isso não passa de “lavagem de modelo”: a nova geração teria herdado o que os modelos anteriores aprenderam e, portanto, não representaria um recomeço limpo. A denúncia também acusa a Suno de ter usado stream ripping, a extração de áudio de serviços como o YouTube, para alimentar as versões antigas.
A Suno rebate. A empresa diz que o processo erra nos fatos e na leitura da lei, e garante que a geração atual partiu do zero, alimentada apenas por conteúdo com autorização e por faixas criadas pelos próprios usuários.
Por que o caso importa
A disputa original, ainda em andamento, deve responder a uma pergunta que vale para toda a indústria de IA: treinar um modelo com músicas protegidas pode ser considerado uso justo pela lei americana? A Warner Music, que também processava a Suno, saiu da ação depois de fechar acordo em 2025. Sony e Universal seguiram por outro caminho, e o novo processo mostra que elas pretendem contestar até os modelos que a empresa apresenta como licenciados. A Suno já esteve no centro de outra polêmica este ano, quando um vazamento após uma invasão expôs documentos sobre o download de músicas protegidas.
Para quem usa a ferramenta, nada muda por enquanto: a Suno segue funcionando normalmente, incluindo a integração com o iMessage. O impacto real depende do que os tribunais decidirem, e pode definir quanto essas plataformas vão ter de pagar às gravadoras daqui para frente.
