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StepX Neo: startup chinesa lança o primeiro celular feito para agentes de IA

A corrida para transformar o celular em uma máquina de agentes de IA acaba de ganhar seu primeiro representante de carne e osso. A chinesa StepFun anunciou o StepX Neo, aparelho que a empresa descreve como o primeiro smartphone do mundo construído em torno de agentes de inteligência artificial — e não em torno de aplicativos. No lugar do Android tradicional, ele roda o Step AOS, um sistema que a startup diz ter criado especificamente para esse tipo de uso.

A ideia central é simples de explicar e difícil de executar: em vez de o usuário abrir um app, navegar por menus e preencher campos, ele diz o que quer e um assistente chamado Amoo cuida do resto, coordenando agentes que têm controle do aparelho. Para isso funcionar, o sistema já vem com serviços integrados de fábrica — Alipay, Meituan, Didi Chuxing e Trip.com —, ou seja, pagamento, delivery, transporte e viagens. É a aposta de que o aplicativo, como camada de interface, virou um intermediário dispensável.

Detalhe do módulo de câmeras do StepX Neo, com painel de LED em matriz de pontos

Vale medir as expectativas pelo que a empresa efetivamente mostrou. A StepFun não divulgou ficha técnica, preço nem data de lançamento, e o aparelho nasce restrito à China. Também não há demonstrações públicas do sistema rodando as tarefas prometidas — e essa é justamente a parte mais difícil de qualquer agente de IA, que costuma impressionar no palco e tropeçar no mundo real. A startup foi fundada em 2023 por pesquisadores egressos da Microsoft e tem a Tencent entre seus apoiadores, o que explica tanto o acesso aos serviços integrados quanto a ambição do projeto.

Para o leitor brasileiro, o StepX Neo interessa menos como produto e mais como sinal de direção. O aparelho depende de um ecossistema chinês que não tem equivalente direto por aqui, então sua chegada ao Brasil é improvável — mas a ideia que ele testa não é exclusividade da StepFun. Google, Samsung, Apple e Microsoft vêm empurrando assistentes capazes de agir pelo usuário, e a diferença é que todas elas fazem isso por cima de um sistema que já existe. A StepFun preferiu jogar o tabuleiro fora e começar do zero. Se der certo, vira referência; se não, terá sido um experimento caro sobre o quanto o ícone de aplicativo ainda importa.



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