A SpaceX está negociando com a Crown Castle o uso de pelo menos 80 mil torres de celular nos Estados Unidos, segundo a agência Bloomberg. O plano é juntar uma rede em terra aos satélites da Starlink e operar como uma operadora de telefonia completa, disputando clientes com Verizon, AT&T e T-Mobile. Nenhuma das duas empresas divulgou valores ou condições do acordo.
O número impressiona. Os EUA têm cerca de 158,5 mil torres de celular ativas. Se a negociação fechar no patamar especulado, a empresa de Elon Musk passaria a ter acesso a aproximadamente metade da infraestrutura do país. A Crown Castle é uma das maiores donas de torres e estações de rádio do mercado americano e já aluga espaço nessas estruturas para as próprias operadoras que a Starlink quer enfrentar.
Por que só satélite não basta
Hoje a Starlink conecta celulares comuns direto aos satélites com o serviço Direct to Cell, que nos EUA funciona em parceria com a T-Mobile para mensagens e dados limitados em áreas sem sinal. O satélite resolve onde não existe antena, mas tem pouca capacidade por região e sofre dentro de prédios. Em cidade grande, com milhares de pessoas no mesmo quarteirão, a torre ainda ganha com folga.
A conta da SpaceX é usar cada tecnologia onde ela rende mais: torres nas áreas densas, satélites no resto do mapa. Alugar espaço em torres de terceiros, em vez de construir tudo do zero, é o caminho mais rápido para isso. Várias operadoras no mundo funcionam assim, inclusive no Brasil.
A negociação também conversa com outro movimento recente da empresa. Em 2025, a SpaceX comprou licenças de espectro da EchoStar, o que deu a ela frequências próprias para celular. Com espectro, torres e satélites, a Starlink teria os três ingredientes de uma operadora tradicional, mais uma cobertura via espaço que nenhuma concorrente americana tem por conta própria.
E no Brasil?
Por aqui, não há nenhum anúncio de rede terrestre da Starlink. O caminho da empresa no país segue sendo o do satélite direto no celular: a Anatel aprovou regras para esse tipo de conexão e estendeu até 2029 os testes da Vivo com a Starlink. Ou seja, o brasileiro deve ver antes o sinal de satélite chegando ao aparelho em parceria com uma operadora local do que um chip da Starlink concorrendo com Vivo, Claro e TIM.
Mesmo assim, o acordo nos EUA interessa a quem acompanha o setor aqui. Se a SpaceX provar que uma rede híbrida de torres e satélites dá conta de competir com as gigantes americanas, as operadoras brasileiras ganham um motivo a mais para acelerar suas próprias parcerias via satélite, principalmente para cobrir estradas e áreas rurais onde hoje não há sinal.
Até a publicação, SpaceX e Crown Castle não tinham confirmado oficialmente a negociação, e não há prazo para a conclusão do acordo.
