A Starbucks anunciou um teste de menus digitais personalizados por inteligência artificial nas pistas de drive-thru. A ideia é reconhecer o cliente cadastrado no momento em que ele chega e mostrar na tela um painel montado para aquele motorista, com sugestões baseadas no que ele costuma pedir.
O mesmo reconhecimento deve encurtar o pagamento. Se o sistema já sabe quem está no carro, a cobrança pode sair da conta vinculada sem a troca de cartão pela janela. A rede não detalhou como fará a identificação, se pelo aplicativo, pela localização do celular ou por outro método, nem quantas lojas entram no teste.
Duas frentes de IA
O plano tem uma segunda parte com data marcada. A partir de 2027, a Starbucks começará a testar modelos de IA rodando em segundo plano para ajudar os atendentes a registrar pedidos com mais precisão e rapidez. Nessa frente, o cliente nem vê a tecnologia: ela fica do lado do caixa, conferindo o que foi dito no alto-falante.
O aplicativo oficial também vai receber IA na busca e na descoberta de produtos. Na prática, a lista de bebidas e lanches deve passar a ser ordenada de acordo com o histórico de cada pessoa, em vez de seguir o mesmo cardápio para todo mundo.
Corrida das redes de fast-food
A Starbucks chega a um terreno que o McDonald’s já começou a explorar. A rede do Big Mac testa a IA Archy em drive-thrus para lembrar o pedido habitual de clientes frequentes, com a mesma lógica de transformar a fila do carro em atendimento sob medida. O drive-thru é o canal em que alguns segundos a menos por carro viram mais pedidos por hora, e por isso as duas empresas apostam nele primeiro.
O ponto sensível é a privacidade. Um sistema que reconhece o motorista na chegada precisa guardar e cruzar dados de identidade, histórico de compras e meio de pagamento. A Starbucks fala em clientes participantes, o que indica adesão voluntária, mas não publicou regras sobre retenção de dados ou como desligar o recurso. Antes de entrar, vale entender exatamente o que o programa coleta. Para quem pede sempre o mesmo café, a troca pode compensar; para quem varia o pedido, o ganho é pequeno.
O anúncio não cita o Brasil, onde a marca é operada por uma empresa licenciada. A Starbucks não divulgou data de início nem cidades do teste com menus personalizados. A única data confirmada é a de 2027, para a IA de apoio aos funcionários.
