Quem divide o celular com uma criança conhece o efeito: bastam algumas semanas de cantiga em looping para o Spotify concluir que seu artista favorito é a Galinha Pintadinha. A plataforma anunciou nesta terça-feira (15) um ajuste que resolve exatamente isso — uma opção que retira as músicas infantis do perfil de preferências usado para montar recomendações e a Retrospectiva anual.

Onde fica a opção
O caminho no aplicativo é Configurações e privacidade > Conteúdo e tela, onde fica a chave que começa com “Incluir músicas infantis e para a família…” — a que manda esse tipo de faixa para o perfil de preferências. Desativando a chave, o serviço para de considerar essas faixas nos cálculos. O ajuste está disponível tanto no plano gratuito quanto nos pagos, com liberação gradual — se ainda não apareceu na sua conta, é questão de esperar alguns dias.
Segundo o Spotify, a exclusão alcança as trilhas dos filmes de animação que tocam em repetição, temas de programas infantis, cantigas de roda e o que a plataforma classifica como música para a família. O efeito se espalha por três lugares onde o algoritmo mais aparece: o Wrapped (a Retrospectiva de fim de ano), o Descobertas da Semana e os Daily Mixes.
Retroativo, mas com prazo
O detalhe que muda a conta deste ano: o ajuste vale retroativamente para 2026. Ou seja, quem desativar a opção agora já muda a própria Retrospectiva que será gerada em dezembro, tirando dela o que foi ouvido nos meses anteriores. O processamento não é instantâneo — o Spotify fala em até 48 horas para a mudança valer no perfil.
Também vale dizer o que não muda: as músicas infantis continuam no catálogo normalmente. Dá para buscar, tocar e montar playlists com elas como sempre. O que a opção faz é apenas tirá-las da conta que o algoritmo usa para deduzir o seu gosto.

Por que isso importa
A mudança é pequena no código e grande na percepção. O Wrapped virou um ritual de rede social — as pessoas publicam o resultado — e nada mina mais a graça do que abrir a Retrospectiva e ver cantigas de ninar entre os cinco mais tocados. Por trás da piada há um problema real de recomendação: faixas infantis são curtas e tocam em repetição, então acumulam contagem de reprodução muito mais rápido que uma música comum, distorcendo qualquer média.
É também a segunda frente do Spotify na mesma direção. A empresa já vinha separando o consumo das crianças em contas familiares e no aplicativo Spotify Kids; agora endereça o caso mais comum no Brasil, que é a criança ouvindo música no celular do adulto, sem perfil separado. Para quem tem caixinha inteligente em casa, o cenário é ainda mais frequente: o comando de voz da criança vai para a conta de quem configurou o aparelho.
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