A Speedo entrou de vez na disputa dos vestíveis esportivos com o Speedo iQ, um módulo eletrônico removível que se encaixa nos óculos de natação da linha Vanquisher e transforma um acessório de piscina em rastreador de treino. A marca chama a proposta de “inteligência de nado”, e o argumento mais forte não está no hardware: não há assinatura para acessar os dados.
O módulo mede ritmo, distância percorrida, respiração, posição da cabeça e desempenho nas viradas, com leituras em tempo real durante o treino e um resumo detalhado no aplicativo depois da sessão. A empresa afirma que o sistema reconhece os quatro estilos de nado, o que resolve a limitação clássica dos relógios esportivos, que costumam se atrapalhar quando o nadador troca de braçada dentro da mesma série.

Há um detalhe importante para quem compete: o conjunto foi aprovado pela World Aquatics para uso em provas oficiais. Isso muda o público-alvo do produto. Um relógio no pulso atrapalha a braçada e costuma ser barrado em competição; um sensor embutido no próprio óculos, liberado pela federação, permite ao atleta levar para a prova o mesmo instrumento que usa no treino — e comparar os dois cenários com a mesma régua.
O modelo de negócio é o ponto que merece atenção do consumidor brasileiro. Boa parte dos vestíveis esportivos hoje entrega o básico de graça e cobra mensalidade pelas análises que realmente importam, prática que já virou padrão em plataformas de corrida e ciclismo. A Speedo escolheu o caminho oposto, com aplicativo gratuito e cobrança única no hardware. Se a promessa se mantiver depois do lançamento, é um contraponto raro nesse mercado.

O produto começou a ser vendido pelo site britânico da marca por 149 libras — algo em torno de R$ 1.050 na conversão direta, antes de impostos e frete. A Speedo não anunciou preço, data ou distribuição para o Brasil, e a experiência recente com wearables importados sugere que a conta final por aqui, via importação, ficaria bem acima disso. Quem nada por lazer ou em clube provavelmente continua melhor servido por um bom par de óculos Speedo tradicionais, que custam uma fração disso e resolvem o essencial: enxergar bem debaixo d’água.
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