O modo multiplayer de The Last of Us Part II que um grupo de fãs vinha construindo para PC não vai sair. A equipe da Speclizer, responsável pelo mod, confirmou o encerramento depois de receber uma carta enviada em nome da Sony Interactive Entertainment pedindo que o projeto não fosse lançado. Quem acionou o pedido, segundo o próprio grupo, foram as detentoras da franquia: o estúdio Naughty Dog e a PlayStation. O aviso chegou a poucas semanas do lançamento previsto — o time trabalhava desde janeiro e mirava o público ainda neste mês.
Não era um experimento de fim de semana. O mod já havia sido mostrado em vídeo no YouTube e tinha financiamento parcial da comunidade via Patreon, com um escopo que ia bem além de colocar dois jogadores no mesmo mapa: vantagens personalizáveis, mapas inéditos e ajustes na mecânica de escuta, o recurso que permite “ver” inimigos através das paredes e que, em um modo competitivo, seria desequilibrado se mantido como está na campanha.
Ao anunciar o fim do trabalho, Speclizer contou ter recebido a notificação da publisher e disse lamentar o desfecho. Na despedida, ele deixou um obrigado a quem bancou o mod durante esse ano de desenvolvimento e avisou que o próximo passo é uma criação inteiramente sua, sem material de terceiros — algo, promete, de fôlego maior.
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A ironia é que o multiplayer oficial nunca saiu
O que dá peso ao caso é o histórico. O primeiro The Last of Us tinha o modo Factions, e a continuação também nasceu com um componente multiplayer previsto. Em 2019, Neil Druckmann confirmou que a modalidade havia sido retirada: a Naughty Dog preferiu concentrar recursos na campanha para fazer do Part II o maior jogo já produzido pelo estúdio, mas manteve o plano de desenvolver uma experiência online separada.
Esse plano virou The Last of Us Online. Em junho de 2022 o estúdio mostrou a primeira arte conceitual e falou em história própria, personagens inéditos e escala comparável à dos jogos single-player da casa. Em 2023, a decisão mudou de novo: a Naughty Dog cancelou o projeto, argumentando que mantê-lo exigiria dedicar praticamente todos os recursos do estúdio a um único título como serviço.

Direito de quem cria e o limite do mod
Do ponto de vista jurídico, a Sony está no seu direito — a franquia é dela, e mods que redistribuem código e recursos de um jogo comercial vivem numa zona que a detentora pode fechar quando quiser. O detalhe que costuma inflamar a comunidade é o financiamento: o projeto arrecadava via Patreon, e receber dinheiro por trabalho derivado de propriedade alheia é exatamente o gatilho que faz departamentos jurídicos agirem.
Ainda assim, o desfecho tem um gosto amargo para quem acompanha a série há uma década: o público pediu multiplayer, o estúdio prometeu, cancelou, e quando alguém de fora resolveu construir por conta própria, foi barrado. Para o jogador brasileiro que queria experimentar o modo sem pagar por um console, resta a campanha — no PC via a versão do Part II já disponível, ou no PlayStation 5, onde a franquia continua sendo o cartão de visitas da plataforma.
