🔥 Entre no nosso grupo e receba as melhores ofertas de tech Entrar agora →
MelhoresTech
Voltar
inteligencia-artificial

CEO do SoftBank rejeita bolha da IA e defende gastos de US$ 5 trilhões por ano

Em meio a um debate cada vez mais barulhento sobre o quanto o mercado de inteligência artificial está inflado, Masayoshi Son escolheu o caminho oposto ao da cautela. Durante a conferência anual do SoftBank em Tóquio, o executivo classificou como “absurda” a própria discussão sobre uma bolha da IA e disparou que quem faz esse tipo de pergunta “não sabe o que é IA”.

A declaração vem acompanhada de números que ajudam a entender por que ele não tem espaço para hesitar. Son defende que o setor precisa de gastos da ordem de US$ 5 trilhões por ano — cerca de 800 trilhões de ienes — ao longo das próximas décadas. O raciocínio que ele apresenta é de escala: quando a receita gerada por IA representar 20% do PIB global, um investimento desse porte viraria, nas palavras do executivo, um simples “erro de arredondamento”.

O problema é que a conta ainda não fecha no presente. O SoftBank já destinou aproximadamente US$ 65 bilhões à OpenAI, e essa concentração começou a incomodar quem avalia o risco do grupo. Em março, a S&P Global alterou a perspectiva da companhia de neutra para negativa, alertando que a liquidez tende a se deteriorar justamente por causa do tamanho da aposta. Vale a distinção: foi a perspectiva que mudou, não a nota de crédito em si.

Há ainda um detalhe que passa fácil no meio das cifras bilionárias. Son revisou a própria previsão para a chegada da superinteligência artificial, empurrando-a de 2035 para 2040. Adiar em cinco anos o marco que sustenta boa parte da tese de investimento é, no mínimo, um reconhecimento de que a curva de progresso é menos previsível do que o discurso sugere.

Para quem acompanha o assunto do Brasil, o episódio funciona como um bom retrato do momento: os maiores defensores da IA estão dispostos a apostar somas que rivalizam com o PIB de países inteiros, enquanto agências de risco e parte do mercado financeiro sinalizam desconforto com a velocidade dos aportes. Nenhum dos dois lados tem como provar quem está certo agora — e é exatamente essa indefinição que mantém a palavra “bolha” circulando.



Gostou deste artigo?

-- -- votos

Você pode gostar também