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Falha em chips SIM permite controle remoto de celulares via protocolo AT

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Falha em chips SIM permite controle remoto de celulares via protocolo AT

Pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, em parceria com a empresa de segurança Fuzzware, divulgaram nesta semana a descoberta de uma vulnerabilidade grave em chips SIM que pode dar a um invasor controle quase total sobre o modem de um smartphone. A brecha, batizada pelo grupo como “SIMurai”, explora um recurso chamado “RUN AT” — parte do protocolo AT, criado originalmente para modems discados em 1981 e que sobrevive, de forma menos conhecida, dentro dos chips SIM modernos.

Captura mostrando o protocolo AT sendo explorado via chip SIM

O mecanismo permite que o cartão SIM envie comandos diretamente ao modem do dispositivo sem passar pelo sistema operacional principal. Segundo o professor Marius Muench, que liderou a pesquisa, o recurso funciona como “um painel de controle direto sobre o hardware”, capaz de contornar camadas de segurança do Android ou iOS. A exploração requer acesso físico ao chip SIM — seja por substituição do cartão, uso de um adaptador em leitor, ou até adulteração durante a cadeia de fabricação ou distribuição.

Entre os dispositivos testados, os mais vulneráveis foram o Oppo Find X5, o Oppo Reno 14 F 5G e o Asus Zenfone 9 — todos equipados com processadores Qualcomm. Nos testes com módulos de IoT, 6 de cada 8 dispositivos analisados apresentaram vulnerabilidade, com destaque para as séries EC25, EG25 e RM52xN do fabricante de módulos Quectel. A boa notícia é que dispositivos Apple e Google não foram afetados pelos vetores testados. A Qualcomm já implementou uma “trava de segurança” que desativa a interface por padrão nos chips mais recentes. A Quectel trabalha em atualizações para os módulos ainda expostos.

Para a maioria dos usuários, o risco prático é limitado, já que a exploração exige acesso físico ao SIM. O maior perigo está em cenários corporativos ou em redes de IoT onde cartões podem ser trocados ou adulterados sem supervisão adequada. A recomendação dos pesquisadores é manter dispositivos em locais seguros e evitar deixar equipamentos sem vigilância em ambientes públicos — especialmente se o smartphone tiver acesso a sistemas críticos.



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