Shigeru Miyamoto, o designer japonês por trás de Super Mario e The Legend of Zelda, entrou no debate sobre inteligência artificial generativa nos games. Em uma coletiva de imprensa no Japão, nesta sexta-feira (23), o diretor criativo da Nintendo defendeu que a tecnologia não vai substituir o trabalho criativo das pessoas.
O argumento dele é simples. A IA pode assumir partes mecânicas da produção, mas a ideia de onde um jogo quer chegar continua vindo de alguém. Para Miyamoto, ainda que as ferramentas avancem a ponto de cuidar de quase tudo, os humanos seguirão tendo função no processo. Ele foi além e disse que a popularização da IA pode até aumentar o valor da visão individual de cada desenvolvedor, justamente porque ela passa a ser o diferencial.
O que a Nintendo diz (e não diz)
A fala chama atenção pelo que fica de fora. A Nintendo nunca confirmou publicamente se usa IA generativa em algum estágio do desenvolvimento dos seus jogos, nem nos títulos do Nintendo Switch 2. Executivos da empresa já comentaram o potencial da tecnologia em outras ocasiões, sempre acompanhado de ressalvas sobre propriedade intelectual. O cuidado faz sentido para uma companhia que vive de proteger Mario, Link e Pikachu com unhas e dentes nos tribunais.
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Oferta · Amazon Console Nintendo Switch 2 - Modelo Internacional Ver oferta →Miyamoto, portanto, falou como criador, e não como porta-voz de uma política oficial. A declaração não responde se a Nintendo vai ou não adotar ferramentas de IA. Ela indica que, internamente, a figura mais influente do estúdio vê o recurso como apoio, e não como autor.
Por que isso pesa no setor
O tema virou ponto sensível na indústria. Estúdios e editoras têm sido cobrados por jogadores e por profissionais da área sobre o uso de IA em arte, dublagem e roteiro, e algumas empresas passaram a se posicionar abertamente. A Rockstar, por exemplo, já afirmou que GTA 6 não terá IA generativa. A Nintendo segue em silêncio institucional, e a opinião de Miyamoto é o mais perto de uma posição que o público recebeu até agora.
Para quem joga no Brasil, a discussão tem efeito prático. Dubladores e artistas brasileiros que trabalham com localização estão entre os primeiros afetados quando uma empresa troca gente por ferramenta. Uma Nintendo que valoriza a autoria humana tende a manter esse tipo de trabalho, mas, sem compromisso por escrito, isso continua sendo leitura de bastidor.
Miyamoto tem 73 anos e segue na Nintendo, onde criou Mario em 1985 e Zelda em 1986. A empresa não divulgou nenhum comunicado complementar sobre o uso de IA após a coletiva.
