A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) confirmou que analisa a representação protocolada contra a PlayStation por causa do fim dos jogos em mídia física. O pedido foi apresentado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) em 3 de julho de 2026, dois dias depois de a Sony anunciar que deixará de produzir e vender novos títulos em disco a partir de janeiro de 2028.
Em resposta enviada no fim de agosto, o órgão afirmou que recebeu o documento e está avaliando os possíveis impactos da decisão para o consumidor brasileiro — mas fez questão de registrar que ainda não existe investigação formal em curso nem prazo definido para concluir a análise ou instaurar um procedimento administrativo. Traduzindo: o caso está na fila, e ninguém arrisca dizer quando sai de lá.
Mesmo sem processo aberto, a resposta deixa entrever o que pode entrar no radar. A Senacon citou direito à informação, liberdade de escolha entre diferentes formas de aquisição, transparência das condições oferecidas e eventuais práticas abusivas, além de questões ligadas a revenda, empréstimo e preservação dos jogos físicos que os consumidores já compraram. O órgão também afirmou que levará em conta as particularidades do mercado brasileiro e que poderá pedir informações adicionais aos fornecedores envolvidos antes de decidir qualquer medida.
Essa última ressalva é a que mais importa por aqui. No Brasil, o disco cumpre funções que o download não substitui: é o que permite comprar mais barato em promoção de varejo, revender depois, emprestar para um amigo e driblar franquias de internet e conexões instáveis em boa parte do país. Some-se a isso o preço de um jogo digital lançamento, que no câmbio atual pesa bem mais do que a média internacional, e fica claro por que o anúncio da Sony gerou reação tão forte. A empresa não se manifestou publicamente sobre a representação.

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