
A Coreia do Sul acaba de carimbar sua posição no centro da indústria global de inteligência artificial. Durante anúncio feito em São Francisco no último dia 25, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung apresentou um pacote de acordos que soma US$ 950 bilhões — algo em torno de R$ 4,86 trilhões — envolvendo as duas maiores fabricantes de memória do planeta e dois dos maiores compradores de silício do mundo.
A divisão mostra bem onde está o peso. A fatia maior, de aproximadamente US$ 750 bilhões, fica com a parceria entre SK hynix e Nvidia. Os US$ 200 bilhões restantes correspondem ao acordo entre Samsung e Broadcom. Os contratos têm horizonte de cinco anos e incluem cooperação em processos de fabricação de 2 nanômetros e abaixo, desenvolvimento da memória HBM4 e adoção da arquitetura Vera Rubin, a próxima geração de plataformas de IA da Nvidia. A SK Telecom também entra na equação.

No pacote está prevista ainda a primeira fábrica de IA de 2 gigawatts da Coreia do Sul, com operação estimada para 2027. Não é apenas uma linha de produção: é uma tentativa deliberada de deixar de ser só fornecedora de componentes e passar a operar infraestrutura de IA em território próprio — algo que Japão, Estados Unidos e China vêm perseguindo com a mesma urgência. Para um país cuja economia depende fortemente de semicondutores, é uma jogada de sobrevivência tanto quanto de ambição.
O recado para o consumidor brasileiro é menos animador. Quando Samsung e SK hynix comprometem parte relevante da sua capacidade produtiva com contratos de IA de cinco anos, sobra menos memória para o resto do mercado — e o que sobra fica mais caro. Já vimos esse filme nos últimos meses, com a alta consistente de RAM DDR5 e SSDs no varejo nacional, além do impacto em consoles e PCs pré-montados. Quem planeja montar ou atualizar uma máquina em 2026 e 2027 provavelmente vai encontrar preços que não voltam ao patamar antigo tão cedo. Comprar memória e armazenamento agora, antes da próxima onda de reajustes, deixou de ser exagero.
Memória e armazenamento antes da próxima alta: