A crise de memória que vem encarecendo celulares no mundo inteiro chegou a um lugar simbólico: o próprio caixa da Samsung. Analistas de mercado projetam que a MX, divisão responsável pelos celulares da empresa, pode fechar o segundo trimestre de 2026 no vermelho — algo que nunca aconteceu na história da companhia. As estimativas variam bastante, indo de um lucro de 1,9 trilhão de wons a um prejuízo de 1,5 trilhão, mas o cenário considerado mais provável aponta perda na casa das centenas de milhões de dólares. Os números oficiais por divisão só saem na teleconferência de balanço marcada para 30 de julho.
O detalhe que torna o caso interessante é que não há crise de vendas. A linha Galaxy S26 vem performando bem, e a Samsung Electronics como um todo deve registrar lucro recorde no trimestre, justamente puxada pela área de semicondutores. O problema é que essas duas notícias são a mesma notícia vista de ângulos opostos: a memória está cara porque os data centers de inteligência artificial compram tudo o que a indústria consegue produzir, e quem fabrica chips lucra exatamente na proporção em que quem monta celulares sofre. A divisão de semicondutores da Samsung está, na prática, vendendo caro para a divisão de celulares da Samsung.

Os números da conta explicam o aperto. Em um aparelho de cerca de 800 dólares, a memória RAM saltou de 14% para 23% do custo dos componentes, enquanto o armazenamento NAND passou a responder por até 15%. Somados, memória e armazenamento hoje consomem perto de 38% do custo de produção — uma fatia que antes sobrava para câmera, tela, bateria e margem de lucro. Para dimensionar o quanto isso é fora da curva, vale lembrar que nem a crise do Galaxy Note 7, com recall global e aparelhos pegando fogo, tirou a divisão do azul: mesmo naquele trimestre a MX terminou positiva.
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Oferta · Kabum Smartphone Samsung Galaxy S26 Câmera Tripla 50MP 256GB 5G Ver oferta →Para quem compra celular no Brasil, o recado é direto e pouco animador. Quando nem a maior fabricante de celulares do mundo, que ainda por cima produz a própria memória, consegue segurar a margem, fica difícil imaginar que marcas menores absorvam esse custo em silêncio. O caminho mais provável é o que o mercado já vem ensaiando: aparelhos de entrada com menos armazenamento, versões de 128 GB voltando ao catálogo, upgrades de memória mais caros e reajustes discretos de preço a cada nova geração. A Samsung diz estar diversificando fornecedores e ampliando a aposta em dobráveis para recompor margem, mas nenhuma dessas medidas resolve o problema de fundo. Enquanto a corrida por inteligência artificial continuar consumindo a produção mundial de memória, o celular na sua mão vai seguir disputando chip com um data center — e é fácil adivinhar quem tem mais dinheiro nessa disputa.