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Samsung tem lucro 780% maior no 3º trimestre com venda de memórias para IA

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Samsung tem lucro 780% maior no 3º trimestre com venda de memórias para IA

A Samsung divulgou nesta quinta-feira (29) o balanço do terceiro trimestre de 2026, e o número que salta da planilha é o lucro líquido: 780% acima do registrado no mesmo período de 2025. A receita consolidada de julho a setembro foi de US$ 146,33 bilhões, alta de 126% na comparação anual. O lucro operacional ficou em US$ 80,47 bilhões.

Quase tudo vem dos chips

O resultado tem dono. A Device Solutions, divisão de semicondutores da empresa, faturou US$ 110,2 bilhões e teve lucro de US$ 79,79 bilhões no trimestre. Isso equivale a cerca de 75% da receita total e a 99% do lucro operacional. A margem da divisão passou de 72%.

O dinheiro saiu da venda de memórias HBM4 e de SSDs para data centers de inteligência artificial. A HBM é a memória empilhada que fica ao lado das GPUs aceleradoras usadas para treinar e rodar modelos de IA, e a quarta geração é a que equipa as plataformas mais recentes. Pela conta do próprio balanço, todo o resto da Samsung, o que inclui celulares Galaxy, TVs e eletrodomésticos, respondeu por menos de US$ 1 bilhão de lucro operacional no período.

O outro lado da mesma crise

A demanda dos data centers consome a capacidade das fábricas de memória, e sobra menos para PCs, celulares e consoles. O efeito já aparece há meses. A Apple subiu os preços de Mac e iPad no Brasil citando o custo das memórias. A Qualcomm teve queda de 25% no lucro e atribuiu parte dela à mesma escassez. Projeções para o mercado de celulares intermediários falam em retração de até 22%, e a suspensão das exportações de hélio pela China apertou ainda mais a cadeia de produção de chips.

Quem fabrica a memória está do lado que ganha. Samsung, SK Hynix e Micron vendem para empresas de IA dispostas a pagar o que for preciso, e o balanço desta quinta mostra o tamanho dessa disposição: a receita da companhia mais que dobrou em um ano.

O que isso significa para quem compra aqui

A Samsung ocupa duas posições ao mesmo tempo. Como fornecedora de componentes, lucra com a alta. Como fabricante de celulares, notebooks e TVs vendidos no Brasil, também paga mais caro pela memória que coloca nos próprios aparelhos, e os números da divisão de dispositivos mostram que essa parte do negócio pesa pouco hoje no resultado.

Para o consumidor, o recado do balanço é direto. Um crescimento de 126% na receita não indica que a procura dos data centers esteja diminuindo. Se você planeja trocar de celular ou notebook e faz questão de mais RAM ou armazenamento, não conte com queda de preço causada por sobra de memória nos próximos meses; compre quando aparecer uma promoção real, em vez de esperar o mercado normalizar.

Os números divulgados nesta quinta cobrem o trimestre encerrado em setembro. A divisão de semicondutores fechou o período com US$ 110,2 bilhões em receita e US$ 79,79 bilhões em lucro.



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