A Samsung foi direta ao falar sobre o assunto que mais incomoda quem pretende trocar de celular neste segundo semestre: o preço. Em coletiva de imprensa realizada em Londres na quarta-feira (22), TM Roh, CEO da empresa, afirmou que a fabricante não vai transferir integralmente ao consumidor o aumento de custos provocado pela escassez de componentes — mas deixou claro que uma parte dessa conta é inevitável.
Segundo o executivo, a Samsung está trabalhando junto aos fornecedores para minimizar o impacto e absorver o que for possível dentro das próprias margens. O limite, porém, existe. Roh reconheceu que a companhia “não tem outra opção a não ser repassar, no preço de lançamento, a parcela do aumento de custo que excede os limites de absorção” da empresa. Em outras palavras: haverá esforço para segurar os valores, mas não para congelá-los.

A memória virou o vilão da conta
O pano de fundo da declaração é a crise que sacode o mercado de semicondutores desde o fim de 2025. A construção acelerada de data centers voltados à inteligência artificial devorou a produção mundial de memória, e fabricantes de DRAM e NAND redirecionaram capacidade para clientes corporativos, que pagam mais e compram em volume. Sobrou menos silício para o consumo — e o que sobrou ficou caro.
Como memória é um dos itens mais pesados na lista de materiais de um smartphone de ponta, o efeito bate direto no preço de etiqueta. Não é um problema exclusivo da Samsung: praticamente todo o setor de eletrônicos vem revisando tabelas, de monitores a aparelhos de streaming. A diferença é que a coreana é ao mesmo tempo compradora e uma das maiores fabricantes de memória do mundo, o que lhe dá alguma margem de manobra que os concorrentes não têm.

O que isso significa para o consumidor brasileiro
A fala de Roh veio logo depois do Galaxy Unpacked, evento em que a Samsung apresentou o Galaxy Z Fold 8, o Z Fold 8 Ultra e o Galaxy Z Flip 8. Dobráveis já são a faixa mais cara do portfólio, e é justamente ali que qualquer repasse dói mais no bolso.
No Brasil, a equação costuma ser ainda menos favorável: além do custo do componente, entram câmbio, impostos e o intervalo entre o lançamento global e a chegada oficial por aqui. Quem não tem pressa de migrar para a geração mais nova provavelmente encontra o melhor custo-benefício nos modelos da safra anterior, que já passaram pelo primeiro ciclo de desvalorização e ainda recebem anos de atualização de software.
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Um problema que deve durar
O recado do CEO da Samsung tem valor menos pelo alívio imediato e mais pelo sinal que emite: a empresa não enxerga a crise de memória como um soluço passageiro. Enquanto a demanda por infraestrutura de IA seguir crescendo em ritmo mais rápido do que a capacidade das fábricas de memória, a pressão sobre os preços continua — e o setor inteiro de eletrônicos de consumo segue disputando componentes com os data centers.
Para o comprador, a leitura prática é simples: aparelhos de entrada e intermediários tendem a sofrer o corte mais visível, seja em preço, seja em configuração de armazenamento. Vale acompanhar o comportamento das tabelas nos próximos meses antes de fechar a compra.