
A Samsung confirmou que pretende iniciar em 2027 a produção em massa de chips de inteligência artificial da Tesla, usando seu processo de fabricação mais avançado, de 2 nanômetros. A produção deve acontecer na nova fábrica da empresa em Taylor, no estado norte-americano do Texas, que se torna assim um polo estratégico para um dos contratos mais ambiciosos já fechados pela divisão de semicondutores da sul-coreana.
O acordo, estimado em vários bilhões de dólares ao longo dos próximos anos, gira em torno do chip que a Tesla pretende usar em seus projetos de inteligência artificial e direção autônoma. Segundo as informações disponíveis, a montadora teria pedido para mais que dobrar a capacidade inicialmente prevista, o que levou a Samsung a estudar acelerar a expansão da operação no Texas para dar conta da demanda. A escala do pedido mostra o quanto a IA virou prioridade para empresas que, até pouco tempo atrás, eram associadas apenas a carros ou eletrônicos de consumo.
Para a Samsung, o contrato tem um peso que vai além do valor financeiro. A empresa disputa de igual para igual com a taiwanesa TSMC a liderança na fabricação de chips de ponta, mercado em que vinha perdendo espaço. Fechar um cliente do porte da Tesla para a tecnologia de 2 nm é uma forma de provar que sua linha de produção mais moderna está madura — e de atrair outros grandes nomes que avaliam onde fabricar seus processadores mais avançados.
O movimento também se encaixa em uma tendência maior: a de trazer a fabricação de semicondutores para os Estados Unidos. Com incentivos e pressões geopolíticas em jogo, produzir chips avançados em solo norte-americano deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ter peso estratégico. Se os prazos forem cumpridos, 2027 promete ser um ano decisivo tanto para a Samsung quanto para a corrida global pela próxima geração de chips de inteligência artificial.