O RPCS3, emulador de código aberto que roda jogos de PlayStation 3 no computador, deu um passo que aproxima a experiência da de um console de verdade: agora dá para colocar o disco original no leitor de Blu-ray do PC e iniciar o jogo na hora, sem antes copiar todo o conteúdo para o armazenamento. Até então, o caminho obrigatório era fazer o dump do disco, o que consumia dezenas de gigabytes de SSD por título e tempo de espera antes da primeira partida.
Windows primeiro, depois todo o resto
A função foi assinada pelo colaborador digant73 em duas etapas. A primeira, integrada ao projeto no fim de abril de 2026, funcionava apenas no Windows, porque era o único sistema em que o desenvolvedor conseguia testar o acesso bruto ao drive óptico. A segunda, aceita no repositório em 31 de agosto, estendeu o suporte para Linux, macOS e FreeBSD, completando a cobertura das plataformas em que o emulador roda. O leitor aparece na lista de jogos como qualquer outro título e pode ser adicionado pelo menu de adição de jogos ou pela pasta virtual de jogos do emulador.
Há um detalhe importante que continua valendo: o RPCS3 precisa da chave de descriptografia do jogo, no padrão do projeto Redump, salva na pasta data/redump dentro da instalação. O emulador varre esse diretório e casa a chave com o disco inserido; sem ela, nada acontece. Como a mídia é lida diretamente, ícones e informações do jogo são recarregados a cada vez, já que o cache de imagens ISO não se aplica a um dispositivo óptico.
Nem todo drive serve
Ler um Blu-ray de PS3 exige que o drive consiga acessar a estrutura de dados do disco, o que nem toda unidade faz. A equipe mantém uma lista de modelos compatíveis no repositório do projeto, com unidades internas e externas de fabricantes como LG, ASUS, Samsung, Lite-On e Sony. Para testar um leitor que não está na lista, o procedimento é simples: insira o disco e veja se o sistema operacional mostra os arquivos dele no gerenciador. Se mostrar, a unidade está apta. Quem tem um leitor de Blu-ray externo por USB pode usar o mesmo aparelho para os dumps tradicionais, para quem prefere manter a biblioteca no SSD.
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O PS3 foi o último console da Sony com uma biblioteca inteira em disco, e boa parte dela nunca foi relançada em plataformas atuais. Com o preço dos SSDs em alta, guardar dumps de 20 GB a 50 GB por jogo pesa no bolso; rodar direto da mídia devolve ao dono do disco a possibilidade de testar um jogo usado recém-comprado ou de revisitar um título sem ocupar espaço. Segundo a equipe, o mesmo suporte alcança até quem roda distribuições Linux modificadas em um PS4 ou PS5, que passam a ler discos de PS3 pelo emulador. Para a preservação de games, é um marco: vinte anos de mídia física do PS3 ganham um caminho de acesso plug and play em Windows, Linux e macOS.
