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Roost: o app em que a mensagem viaja no ritmo de um caracol e já tem 300 mil usuários

Ilustração dos pássaros mensageiros do app Roost

Enquanto o resto do mercado disputa milissegundos de latência, um aplicativo resolveu vender exatamente o contrário: demora. O Roost, criado por Logan Mendelsohn, é uma rede social de mensagens em que o texto não chega na hora — ele é entregue por um animal virtual que precisa percorrer a distância até o destinatário na velocidade que teria na vida real. Se o mensageiro for um pássaro, a espera é de horas. Se for uma tartaruga ou um caracol, a conversa pode se arrastar por dias.

A proposta parece piada, mas encontrou um público bem definido. O app saltou de cerca de 10 mil para aproximadamente 300 mil usuários depois de viralizar, e o discurso de quem adota é consistente: cansaço com a lógica de notificação instantânea, com o indicador de “visto” e com a obrigação social de responder imediatamente. Ao transformar a lentidão em regra do jogo, o Roost tira do usuário a pressão de estar sempre disponível — ninguém cobra resposta rápida quando todo mundo sabe que o caracol ainda está a caminho.

Vale enquadrar o fenômeno no que ele é: uma novidade de nicho, não um substituto para WhatsApp ou Instagram. Redes construídas sobre atrito deliberado já apareceram antes e costumam ter vida curta, porque a graça se esgota quando o usuário precisa realmente combinar alguma coisa. Ainda assim, o crescimento rápido do Roost sinaliza um desconforto real com o desenho das plataformas dominantes — o mesmo desconforto que sustentou ondas anteriores de apps “antirredes sociais” e de recursos de bem-estar digital que hoje vêm embutidos no Android e no iOS.

Curiosamente, a maior polêmica em torno do app não veio da mecânica, e sim da arte. As ilustrações dos animais mensageiros foram geradas por inteligência artificial, o que irritou parte da comunidade que o Roost justamente atraiu — gente que busca uma experiência mais artesanal e menos automatizada. O criador respondeu anunciando um concurso para que artistas humanos refaçam as imagens. É um detalhe pequeno, mas revelador: mesmo um projeto construído para desacelerar acabou esbarrando na discussão sobre até onde a automação deve ir.



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