O mercado global de robôs humanoides viveu um salto histórico no primeiro semestre de 2026: as remessas passaram de aproximadamente 5.000 unidades (H1 2025) para mais de 19.000 unidades no mesmo período deste ano — uma expansão de 272% em 12 meses, conforme dados da consultoria Smart Analytics Global divulgados em 9 de agosto.

O protagonismo chinês é avassalador: a China responde por mais de 97% do mercado global e impulsiona 85% de toda a demanda mundial, sustentada por subsídios governamentais e pela acelerada automação industrial no país. A Agibot, startup sediada em Xangai, domina o setor com 44% de participação e, junto à rival Unitree, concentra 75% de todas as vendas mundiais. Outros nomes como Galbot, Ubtech e Leju completam o pelotão de frente — todos chineses.
O uso dos equipamentos ainda é majoritariamente industrial: mais de 70% das remessas de 2026 destinam-se a manufatura, logística e armazenagem, ante 50% em 2025. As aplicações domésticas permanecem um horizonte distante — limitações na destreza fina, regulações de segurança para IA e o alto custo de produção fazem com que nenhum fabricante consiga hoje escalar a venda de robôs humanoides para residências de forma comercialmente viável.
As projeções, no entanto, são grandiosas. Analistas estimam que 2026 fechará com cerca de 60.000 unidades expedidas e receita superior a US$ 1,6 bilhão. A visão de longo prazo é ainda mais ambiciosa: o setor deve crescer de US$ 5,5 bilhões para mais de US$ 50 bilhões em 2035. O principal risco para esse crescimento está fora da China: restrições comerciais americanas e escrutínio regulatório europeu podem travar a expansão internacional das empresas chinesas — variáveis que analistas já listam como pontos de atenção para o médio prazo.
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