Uma campanha de phishing batizada de RecruitTrap vem transformando a busca por emprego em porta de entrada para roubo de credenciais corporativas. O esquema, mapeado pelas empresas de segurança CTM360 e Zimperium, monta páginas de recrutamento praticamente idênticas às de marcas conhecidas — Amazon, Apple, Louis Vuitton, Emirates, Boeing, Deloitte, Heineken, Adidas e Lego aparecem entre as identidades clonadas — e conduz o candidato até uma tela de login falsa.
O truque técnico é o chamado Browser-in-the-Browser: a suposta janela de autenticação não é uma janela de verdade, e sim um desenho em HTML dentro da própria página, completo com barra de endereço e cadeado fake. No computador ainda dá para desconfiar tentando arrastar a janela. No celular, a coisa fica bem pior, porque a tela de login ocupa todo o espaço e o navegador esconde a barra de endereços real — some justamente o único indicador que denunciaria o domínio falso.
Há um filtro de alvos que revela a intenção. As páginas rejeitam cadastros feitos com e-mail gratuito, como Gmail, Yahoo e Outlook, e exigem endereço corporativo para prosseguir. Não é o dado da pessoa que interessa: é a chave de acesso da empresa onde ela trabalha. Para reforçar a encenação, os criminosos coletam informações de recrutadores reais e as reutilizam nas páginas, dando ao processo seletivo aquela camada de credibilidade que faz o candidato baixar a guarda.

A infraestrutura também está concentrada: Amazon e SEDO GmbH respondem por cerca de 60% da hospedagem dos sites fraudulentos, segundo o levantamento. Na prática, isso significa domínios que sobem e caem rápido, com aparência legítima e certificado válido. A defesa que funciona é a chata de sempre, e vale ainda mais no celular: não faça login a partir de link recebido; abra o site da empresa digitando o endereço; use gerenciador de senhas, que simplesmente não preenche credencial em domínio errado; e mantenha verificação em duas etapas ativa em todas as contas de trabalho.

