A Qualcomm apresentou nesta terça-feira (22), no Snapdragon Summit, os processadores que vão equipar os celulares Android mais caros dos próximos meses: o Snapdragon 8 Elite Gen 6 e o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6. A dupla estreia a fabricação em 2 nanômetros na linha da empresa e foi desenhada, nas palavras da própria Qualcomm, para dar conta de agentes de inteligência artificial rodando direto no aparelho.
A estrutura segue a receita das gerações anteriores: dois núcleos Prime de até 5,0 GHz e seis núcleos de desempenho de até 4,0 GHz, com 16 MB de cache. A GPU Adreno ficou 12% mais eficiente e ganhou o Adreno Neural Fusion, que faz super-resolução e gera quadros extras por IA em jogos, com economia de energia que a empresa estima em até 40%. O modem é o X105, de 5G, que a Qualcomm apresenta como base para a transição ao 6G, e o Wi-Fi e o Bluetooth ficam com o FastConnect 8800.

O que o Extreme tem a mais
O modelo Extreme é a versão para os aparelhos mais ambiciosos. Ele traz 18 MB de memória dedicada de alto desempenho ligada à GPU, o primeiro decodificador VVC em hardware e suporte ao formato de vídeo profissional APV. Na câmera, as duas versões gravam em 8K a 60 quadros por segundo e fazem câmera lenta em 4K a 240 fps.
A maior distância entre os dois aparece na IA. A NPU Hexagon foi redesenhada, com memória compartilhada 50% mais rápida, e um novo Sensing Hub com duas micro NPUs sempre ligadas cuida dos comandos de voz e sensores gastando pouca bateria. No Gen 6 padrão, a Qualcomm mostrou o Personal Scribe, um assistente que aprende padrões do usuário a partir de mensagens e e-mails. Já o Extreme consegue executar modelos do tipo MoE com mais de 30 bilhões de parâmetros localmente, o que abre espaço para assistentes que respondem sem depender da nuvem.
Quem vai usar primeiro
A Qualcomm listou Honor, iQOO, Motorola, OnePlus, Oppo, Redmi, RedMagic, vivo e Xiaomi entre as fabricantes confirmadas. A Xiaomi promete ser a primeira: o Xiaomi 18 Pro (com o Gen 6) e o 18 Pro Max (com o Extreme) serão lançados na China nesta quarta-feira (23) e, desta vez, também terão versão global ainda este ano. A Motorola aproveitou o palco para mostrar o Signature 27, que usa o Extreme.
A Samsung não foi citada, mas as duas empresas anunciaram ter validado memória LPDDR6 de 16 GB a 10,7 Gbps com o Extreme, com largura de banda de 125 GB/s e consumo até 21% menor que o LPDDR5X. É um sinal forte para o Galaxy S27, que deve chegar em janeiro de 2027, embora a Samsung ainda não tenha confirmado as especificações.
Para quem compra celular no Brasil, a novidade demora a chegar às lojas: os primeiros modelos com o chip saem na China, e os topo de linha costumam desembarcar aqui meses depois. Enquanto isso, os aparelhos com o Snapdragon da geração atual tendem a ficar mais baratos.
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