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Qualcomm anuncia Dragonfly e entra na briga dos chips de IA para data centers

A Qualcomm decidiu encarar de frente o mercado mais cobiçado da tecnologia atual. Nesta semana, durante seu Investor Day em Nova York, a empresa conhecida pelos chips Snapdragon de celulares apresentou o Dragonfly, uma linha completa de processadores e aceleradores voltada para data centers de inteligência artificial — território hoje dominado quase com exclusividade pela Nvidia.

O carro-chefe do anúncio é a CPU Dragonfly C1000, um processador de servidor com nada menos que 250 núcleos baseados na arquitetura Oryon, frequências acima de 5 GHz e suporte a PCIe Gen 7. Ao lado dela vêm os aceleradores de IA: o AI250, previsto para meados de 2027, estreia uma nova tecnologia de memória (HBC) que a Qualcomm diz oferecer 133 TB/s de banda por placa, e o AI300, de 2028, promete escalar esse desempenho ainda mais. A C1000, por sua vez, só deve chegar na segunda metade de 2028.

Mais importante do que as especificações, porém, são os nomes que já embarcaram no projeto. A Meta, de Mark Zuckerberg — que apareceu pessoalmente no evento —, fechou um acordo de várias gerações para colocar a C1000 em seus servidores. A Microsoft confirmou que vai usar a arquitetura de memória da Qualcomm no Azure, sua plataforma de nuvem. Para completar a estratégia, a empresa selou a aquisição da desenvolvedora de software de IA Modular, por cerca de US$ 3,9 bilhões, num movimento para amarrar hardware e software desde o início.

Para o leitor brasileiro, a notícia pode parecer distante — afinal, ninguém vai comprar uma CPU de 250 núcleos para o PC de casa. Mas a entrada da Qualcomm nesse jogo importa por um motivo prático: mais concorrência no fornecimento de chips de IA tende a aliviar a pressão sobre uma cadeia que anda sufocada pela demanda. É essa mesma escassez que vem encarecendo memórias, SSDs e até produtos de consumo no país inteiro. Se a Nvidia ganhar rivais de peso, todo o ecossistema — dos serviços de IA aos preços de componentes — pode respirar um pouco melhor nos próximos anos.



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