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PlayStation cria política contra assédio a funcionários e pode suspender atendimento ao cliente

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PlayStation cria política contra assédio a funcionários e pode suspender atendimento ao cliente

A Sony publicou uma política formal de combate ao assédio contra funcionários da divisão PlayStation, com uma lista de comportamentos que a empresa considera abusivos por parte de clientes e um aviso direto: quem se enquadrar nela pode ter o atendimento restringido ou suspenso. O texto entrou no ar em 1º de setembro de 2026, na página japonesa da marca, e ganhou repercussão neste fim de semana.

Segundo a própria empresa, a intenção é garantir que a “dignidade e a segurança” da equipe de suporte não sejam ameaçadas. A Sony afirma que continua valorizando o feedback dos jogadores para melhorar produtos e serviços, mas diz que vai adotar uma “posição firme” diante de condutas que ultrapassem o razoável, o que inclui, se necessário, acionar a polícia e advogados.

Logotipo da PlayStation sobre fundo azul

O que entra na lista

Os exemplos citados no documento vão de situações corriqueiras a casos extremos. Estão lá as demandas persistentes, repetidas ou prolongadas; exigências desproporcionais de compensação ou de pedidos de desculpas; xingamentos, ameaças e difamação; solicitações sem relação com produtos ou serviços; intimidação e coerção; condutas discriminatórias ou de natureza sexual; ataques dirigidos a funcionários específicos; e visitas não autorizadas a escritórios ou instalações da empresa. A Sony deixa claro que a relação não é exaustiva: outros comportamentos podem ser enquadrados conforme o contexto.

Na prática, a política é uma versão corporativa de um movimento mais amplo no Japão, onde o chamado “assédio de cliente” virou tema de legislação e de regras internas em varejistas, operadoras e empresas de serviços nos últimos anos. A diferença é que, no caso da PlayStation, o documento chega em um momento delicado para a relação da marca com seu público.

O contexto: discos acabam em 2028

O anúncio vem poucas semanas depois de a Sony confirmar que vai encerrar a fabricação de discos para novos jogos de PlayStation 5 a partir de janeiro de 2028. A reação dos jogadores foi imediata, com protestos e campanhas de boicote, e o anúncio reacendeu a discussão sobre o que o jogador realmente possui quando compra um título digital. No Brasil, a Senacon abriu uma investigação sobre os efeitos da mudança para o consumidor, como mostramos aqui.

Caixa de jogo de PlayStation com a inscrição Digital Only no lugar do disco

Mesmo diante da reação, a empresa não sinalizou nenhuma revisão do plano. Em apresentação de resultados, a diretora financeira Lin Tao reconheceu o apego de muitos jogadores ao disco físico, mas disse que a decisão foi estudada por um longo período e que a Sony vai “seguir em frente com cautela”, ligando a estratégia à digitalização do mercado de entretenimento como um todo.

Para quem joga no Brasil, a política não muda nada no atendimento cotidiano: reclamar de um jogo, pedir reembolso ou contestar um banimento continua sendo legítimo. O que a Sony passa a ter é um documento oficial para justificar o corte de contato com quem parte para ameaças ou insistência abusiva, algo que outras empresas de tecnologia já fazem sem publicar regras.

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