A Sony anunciou uma das mudanças mais simbólicas da era atual dos videogames: a partir de janeiro de 2028, a empresa deixará de produzir jogos de PlayStation em mídia física. A decisão vale para os títulos da PlayStation Studios e de estúdios parceiros, que passarão a ser distribuídos apenas pela loja digital ou vendidos no varejo com códigos de resgate dentro da caixa — sem o disco que marcou gerações de consoles.
A justificativa da fabricante é o comportamento do público. Segundo a Sony, quatro em cada cinco jogos vendidos para PS4 e PS5 já são adquiridos de forma digital, e a empresa classifica o movimento como uma “direção natural” diante da preferência dos consumidores. Não é um fenômeno isolado: o PC abandonou o disco há anos, a pandemia acelerou o hábito do download e o próprio PlayStation 5 já é oferecido em versões com e sem leitor óptico. Quem quiser garantir um console capaz de rodar discos ainda encontra o PlayStation 5 em lojas brasileiras, mas a janela para montar uma coleção física de lançamentos está oficialmente com prazo de validade.

O anúncio reacende um debate antigo entre os jogadores: preservação e propriedade. Sem o disco, o acesso a um jogo passa a depender inteiramente das lojas digitais e dos servidores da fabricante — o que preocupa colecionadores e quem valoriza poder emprestar, revender ou simplesmente guardar um título na estante. Do outro lado, o formato digital elimina custos de fabricação e logística, permite pré-carregamentos e é mais conveniente para a maioria. O sinal dos tempos já aparecia em grandes lançamentos: GTA 6, um dos jogos mais aguardados da história, será vendido em edição física apenas com um código na caixa, sem disco de instalação.

Para o jogador brasileiro, a mudança tem um peso extra. Aqui, a mídia física sempre foi uma alternativa importante diante dos preços elevados dos jogos digitais e da variação cambial — comprar usado, aproveitar promoções em lojas e revender títulos ajudava a equilibrar o custo do hobby. Com o fim gradual dos discos, essa economia paralela tende a encolher, aumentando a dependência dos preços praticados na PlayStation Store. Até 2028 nada muda na prática, mas o recado da Sony é claro: o futuro do PlayStation, e provavelmente do futuro PS6, será digital.