O Pinterest decidiu entrar de vez na corrida das compras guiadas por inteligência artificial. A empresa anunciou o Ask Pinterest, um aplicativo experimental que troca a tradicional busca por palavras-chave por uma conversa em linguagem natural — o usuário descreve o que procura e a IA responde com produtos, ideias e inspirações personalizadas. É a aposta da plataforma para um momento em que, nas palavras dos próprios executivos, a descoberta deixa de ser movida por termos de pesquisa.
Na prática, o Ask Pinterest funciona como um assistente de compras conversacional. Ele dá conta de pedidos complexos e em várias etapas — do tipo “monte uma decoração para um jantar” ou “ajude a mobiliar uma sala” — e mantém o contexto ao longo do papo para ir refinando as sugestões. O grande diferencial em relação a um chatbot genérico é a base de dados: quando o usuário faz login, o app se apoia no Taste Graph do Pinterest e nos Pins e pastas que a pessoa já salvou, deixando as recomendações mais alinhadas ao gosto individual.

No lançamento, o acesso é restrito e acontece pela web, no celular e no desktop, pelo endereço ask.pinterest.com. A própria empresa trata o produto como um laboratório: a ideia é testar uma abordagem mais conversacional de descoberta sem mexer no app principal, e usar o aprendizado para, mais adiante, levar recursos de IA ao Pinterest que todo mundo já usa. Em paralelo, a companhia anunciou ferramentas voltadas a anunciantes, incluindo um assistente em beta no gerenciador de anúncios e um modelo de criativos otimizados por IA.

Para o usuário brasileiro, a novidade interessa por dois motivos. Primeiro, o Pinterest é uma fonte enorme de inspiração de compra por aqui — de decoração a moda —, e uma camada de IA que entende o histórico pode encurtar bastante o caminho entre “vi e gostei” e “achei onde comprar”. Segundo, ela mostra a direção do varejo digital: as grandes plataformas estão transformando a vitrine em conversa, e quem domina os dados de gosto do usuário larga na frente. Por ser experimental e limitado à web, porém, ainda vai levar tempo até virar parte da rotina de quem usa o app no Brasil.