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Pesquisa Pew: 52% dos brasileiros estão mais preocupados do que empolgados com a IA

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O Pew Research Center ouviu 42 mil pessoas em 37 países e chegou a um retrato que contraria a ideia de que o entusiasmo com a inteligência artificial é global. No Brasil, 52% dos entrevistados se dizem mais preocupados do que empolgados com o avanço da tecnologia. Do outro lado, apenas 8% se declaram mais empolgados do que preocupados, e 33% sentem as duas coisas na mesma medida. O número coloca o país acima da média mundial e praticamente empatado com os Estados Unidos.

Gráficos do Pew Research Center comparando o sentimento sobre IA e o impacto esperado no emprego em 37 países

O que sustenta esse receio é o trabalho. Entre os brasileiros, 42% esperam menos vagas de emprego nos próximos anos por causa da IA, contra 13% que apostam em mais oportunidades e 34% que não sabem dizer. O padrão se repete de forma quase mecânica pelo mundo: quanto mais desenvolvida a economia, maior o medo. A marca dos 70% que esperam perda de vagas foi ultrapassada em três economias ricas — a australiana, a sul-coreana e a norte-americana —, enquanto nas Filipinas e na Nigéria a expectativa de que a tecnologia crie postos ainda supera a de que destrua.

O dado mais desconfortável do levantamento é geracional. Entre brasileiros de 18 a 34 anos, a preocupação saltou de 32% para 44% em apenas um ano — uma alta de 12 pontos percentuais, maior que a observada entre jovens dos Estados Unidos, da Austrália e do Japão. É a faixa etária que costuma adotar tecnologia primeiro e reclamar depois; aqui, ela está reclamando antes. Na Suécia, o mesmo indicador subiu 21 pontos, o maior salto da amostra.

Gráficos do Pew Research Center mostrando a alta da preocupação com IA entre jovens de 18 a 34 anos em seis países

Há ainda um ponto que ajuda a explicar a temperatura do debate: 27% dos brasileiros dizem não ter lido nem ouvido nada sobre inteligência artificial. Outros 42% viram pouco, e só 31% tiveram contato mais próximo com o assunto — número que, ainda assim, cresceu em relação aos 22% de 2025. Ou seja, boa parte da apreensão convive com pouca informação concreta, o que é terreno fértil tanto para expectativa inflada quanto para pânico. Sobre desigualdade, 24% dos brasileiros acham que a IA vai aumentar a distância entre ricos e pobres e 35% não esperam mudança; na Coreia do Sul, essa preocupação chega a 54%.

Para quem acompanha o setor daqui, o recado é menos sobre tecnologia e mais sobre comunicação. As empresas de IA venderam produtividade; o público brasileiro está ouvindo “demissão”. Enquanto essa tradução não mudar — com exemplos práticos de uso no trabalho, não com promessas —, cada novo lançamento tende a ser recebido com mais desconfiança do que curiosidade.



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