A Perplexity colocou no ar na quinta-feira (5) os Teammates, agentes de inteligência artificial pensados para assumir tarefas inteiras dentro de uma empresa e seguir trabalhando quando a equipe humana já foi para casa. O recurso já está liberado para quem assina o Perplexity Max, o plano mais caro do serviço, e por enquanto funciona apenas na versão web.
A proposta é delegar trabalho de fôlego. A empresa cita exemplos como tocar campanhas de publicidade e revisar código. A Perplexity faz uma ressalva: o agente executa, mas as decisões continuam com as pessoas. Na prática, o Teammate prepara, monitora e sugere, e alguém da equipe aprova.
Memória na barra lateral
Cada Teammate fica fixo na barra lateral, com um histórico que não se perde de uma sessão para outra. Essa persistência é o que permite ao agente lembrar o contexto de um projeto sem que o usuário precise reexplicar tudo a cada pedido. A conversa acontece em linguagem comum, no tom de quem manda mensagem para um colega de time.
O diferencial em relação a um chatbot comum está no funcionamento em segundo plano. Os agentes rodam por automações e não dependem de alguém abrir a janela e digitar. A Perplexity usa como exemplo um “engenheiro de plantão” virtual: configurado para vigiar servidores, ele detecta alertas de madrugada e já deixa pronto um código de correção para o time revisar pela manhã.
Agentes que passam tarefa uns para os outros
A arquitetura também deixa vários Teammates trabalharem em cadeia. Um agente de desenvolvimento corrige um bug e entrega a solução para outro, dedicado ao controle de qualidade, que testa antes de qualquer humano entrar na história. Essas trocas circulam pelos canais que a empresa já usa, o que coloca os agentes dentro do fluxo de trabalho existente em vez de numa ferramenta à parte.
Na parte de segurança, os Teammates herdam os plugins e as permissões que o usuário já configurou na conta. Ou seja, um agente só acessa o que a pessoa já liberou antes, e tudo roda sobre a infraestrutura de privacidade da própria Perplexity. Para empresas, é a parte que mais pesa: um agente com acesso a servidor e código precisa de limites claros, e reaproveitar permissões já auditadas reduz o trabalho de quem cuida de TI.
Corrida dos agentes em segundo plano
O lançamento chega num momento em que as grandes empresas de IA disputam exatamente esse espaço. A própria Perplexity já tinha lançado um agente capaz de mexer em arquivos de PCs com Windows, o Google liberou o Gemini Spark para assinantes do plano Ultra e a Anthropic apresentou o Claude Duet, também focado em tarefas em segundo plano. O padrão se repete: o recurso estreia no plano mais caro e desce para os outros depois, quando desce.
Para quem usa a Perplexity no Brasil em trabalho técnico ou de marketing, os Teammates fazem sentido se você já paga o Max. Para quem está no plano gratuito ou no Pro, não há motivo para trocar de assinatura só por isso agora, já que o recurso ainda está restrito ao navegador.
A Perplexity diz que versões para iOS, Android e um aplicativo nativo para desktop chegam em breve, sem data definida. Enquanto isso, os assinantes do Max usam os Teammates sem cobrança adicional.
