A Perplexity trouxe para o Windows o Personal Computer, recurso que dá ao agente de inteligência artificial da empresa acesso direto aos arquivos e pastas do computador. Ele não apenas lê o conteúdo: consegue criar e editar documentos localmente, sem exigir que nada seja jogado antes em algum serviço de nuvem. A versão para macOS já existia desde abril de 2025; a de Windows estreou em 28 de julho de 2026.
O tipo de tarefa que a empresa usa para vender a ideia deixa claro o alvo. Atualizar uma planilha diariamente, gerar relatórios a partir de documentos que já estão salvos, revisar o código de um projeto — coisas que hoje exigem copiar trechos para um chat, colar a resposta de volta e torcer para nada se perder no caminho. Há também integração com serviços de nuvem, incluindo o Microsoft 365, o que faz sentido para quem mantém metade dos arquivos no disco e a outra metade no OneDrive.

Sobre a parte que preocupa: a Perplexity diz que as solicitações e os arquivos são processados em um ambiente isolado, com hospedagem remota, que o agente pede permissão antes de ações sensíveis e que nada disso é usado para treinar modelos. São as garantias certas no papel. Na prática, continua sendo um software com permissão de escrita no seu disco, e a recomendação sensata é apontá-lo para uma pasta de trabalho específica em vez de soltá-lo na pasta do usuário inteira. O agente pode escolher entre vários modelos — GPT-5.6 Sol, Claude Fable 5, Opus 5 e Sonnet 5, Preview (GLM-5.2), Kimi K3 e Grok 4.5 —, o que é uma vantagem de quem não está preso a um único fornecedor.
O obstáculo real é o preço. O Personal Computer só funciona nas assinaturas Perplexity Max, de US$ 200 por mês (algo em torno de R$ 1.028 na cotação atual), ou Enterprise Max. No Brasil, isso coloca o recurso fora do alcance do usuário individual e o empurra para o território de empresas que já gastam com licenças corporativas. É a mesma dinâmica que vimos com outros agentes de computador lançados no último ano: a tecnologia chega primeiro em plano caro, e a discussão sobre democratizar acesso fica para depois — normalmente quando um concorrente resolve embutir função parecida no plano padrão.
Onde comprar:
Vale lembrar que agentes que trabalham sobre arquivos locais puxam bastante memória e SSD. Um notebook Windows 11 com 16 GB de RAM é o piso confortável para rodar esse tipo de fluxo sem travar o resto do sistema.